<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361</id><updated>2011-06-23T06:08:10.474+01:00</updated><title type='text'>Cartas à minha avó</title><subtitle type='html'>16 anos de cartas escritas em pensamento...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>67</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-6812265592377371109</id><published>2008-12-02T16:36:00.003Z</published><updated>2008-12-02T17:00:46.582Z</updated><title type='text'>Ausência</title><content type='html'>Ausência. Dormência. Distanciamento. De tudo menos de mim própria. Este ano que passou foi só um dos mais (se não o mais) complicados da minha vida. Sei que mais se seguirão, com um grau diferente, com dificuldades em diferentes esferas, sei que à medida que a vida for correndo e os anos passando este ano me parecerá, à distância, "piece of cake". Por agora, parece que estamos a saír lentamente do túnel por onde temos andado. Eu, pessoalmente, posso estar à beira de entrar noutro túnel sombrio a nível laboral, antevejo as fundações do meu trabalho abanadas com violência, mas quem sabe para se tornarem mais sólidas. Preparava-me para respirar fundo e relaxar um pouco, mas pelos vistos não é o momento porque a "luta" continua e ainda não posso parar para contemplar a paisagem. Finalmente quando a balança se começava a equilibrar eis que surge a ameaça de um prato vazio. Mas no meu íntimo penso positivo e acredito que depois da tempestade vem a bonança e que ela deve estar algures guardada para mim, basta acreditar.&lt;br /&gt;Ausência. Dormência. Distanciamento. Tenho andado por dentro de mim própria, no meu submundo, tenho falado comigo mesma, caminhado sozinha por entre angústias e incertezas para não desequilibrar os que me rodeiam. Emudeci para não me queixar, para não lamentar, para não preocupar ninguém. As coisas aos poucos vão-se compondo. Isto de que falo é o que tantos de nós sofrem na pele: a crise, pura e dura. A incerteza laboral neste Portugal dos Pequeninos, os ordenados ridículos que auferem a maior parte dos trabalhadores, os contratos precários, os aumentos das contas astronómicas que já temos de pagar, os horários ridículos das escolas públicas (que foram feitas para quem não trabalha ir buscar os meninos às 15 horas), o folhado que se come à pressa para poupar no subsídio de alimentação. Isto de que vos falo é o desalento de quem trabalha e não percebe muito bem porquê: corremos de casa para o trabalho, do trabalho para casa e depois não temos tempo nem dinheiro para gozar a casa, a família e muitos de nós nem para ter uma alimentação condigna. Isto de que vos falo é de PORTUGAL, infelizmente. Mais do que lamentar e praguejar, quero acreditar muito na máxima que me move sempre que se apresenta ante mim uma dificuldade: ISTO ESTÁ TÃO MAU QUE SÓ PODE MELHORAR!&lt;br /&gt;Acredito que, aos poucos, estou a saír do casulo novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-6812265592377371109?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/6812265592377371109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=6812265592377371109' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/6812265592377371109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/6812265592377371109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2008/12/ausncia.html' title='Ausência'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-4265758774941231564</id><published>2008-10-08T16:53:00.001+01:00</published><updated>2008-10-08T16:53:39.507+01:00</updated><title type='text'>Sonho</title><content type='html'>"Sonho, um dia, ter mais um filho. Mas sonho, antes de mais, gozar este bem gozado, estragá-lo de mimo, dar-lhe colo até mais não. Amá-lo até doer.&lt;br /&gt;Antes tinha a ideia do filho único, do ser primordial a quem dedicaria toda a minha vida, ao qual dedicaria todo o meu empenho. Mas a ideia de não lhe deixar família após a minha morte faz-me estremecer. Porque são os irmãos que nos acompanham mais durante mais tempo ao longo da vida, são companheiros, confidentes, ainda que sempre às turras e aos berros, aos abraços e aos beijos.&lt;br /&gt;Eu e o pai somos ambos filhos segundos, e se eu antes tinha a ideia de que os filhos segundos eram as "sobras", hoje, depois de ter sido mãe, a minha visão sobre este assunto alterou-se drasticamente. O primeiro filho é o sonho, a descoberta, a novidade. O segundo é o reviver sem pressas o que vivemos da primeira vez, com mais calma, saboreando cada minuto porque já sabemos que o tempo é veloz, que daqui a pouco já eles andam e não mimámos o suficiente, não beijámos o suficiente, não demos colo suficiente. Para mim, o segundo filho será, sobretudo o fechar de um ciclo, a última oportunidade de viver as ternuras da maternidade. Porque o tempo da idade fértil não se coaduna com o tempo em que já temos condições para tal, porque ter dois filhos seguidos está fora de questão, porque a vida não está para ter muitos filhos mas especialmente porque quero ter condições de fazer dos meus filhos pessoas de bem. Se vier o segundo, então, será o último recém-nascido meu que terei nos braços e espero aproveitar o suficiente.&lt;br /&gt;O que tenho bem claro na minha cabeça é que, mesmo que não seja mãe outra vez, já sou muito feliz com o meu filho, ele é mais do que eu podia esperar. " - Escrito há mais de dois anos e guardado em rascunho por um qualquer motivo que agora desconheço.&lt;br /&gt;Dois anos depois mantenho firme esta ideia. Não apago uma palavra, não removo uma vírgula. Apenas acrescento uma frase, da qual desconheço a origem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A DECISÃO DE TER UM FILHO É MUITO SÉRIA. É DECIDIR TER, PARA SEMPRE, O CORAÇÃO FORA DO CORPO»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-4265758774941231564?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/4265758774941231564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=4265758774941231564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/4265758774941231564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/4265758774941231564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2008/10/sonho.html' title='Sonho'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-8427368762124341993</id><published>2008-03-03T20:17:00.000Z</published><updated>2008-03-03T20:18:00.589Z</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-8427368762124341993?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/8427368762124341993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=8427368762124341993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/8427368762124341993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/8427368762124341993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2008/03/blog-post.html' title='...'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-1809041505633521806</id><published>2007-12-18T15:38:00.000Z</published><updated>2007-12-18T16:39:50.682Z</updated><title type='text'>Doce de abóbora com nozes e chá de canela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquele dia tínhamos combinado que ia a tua casa com o meu pequeno. Eu não sabia o caminho, deste-me as coordenadas e lá fui eu na minha casquinha de noz enferrujada. Inesperada a fila de 45 minutos na A5. Inesperada a chuva torrencial que caía a cântaros a meio de Agosto e o vento forte que de início me assustou. Inesperada a névoa no meu pára-brisas que me impedia de ver bem o caminho. Inesperado o atraso e os nervos, que eu gosto de ser pontual e não me fazer esperar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá me foram buscar no sítio combinado. Saí do carro em torvelinho, despenteada e mesmo cansada, mas satisfeita por cumprir o prometido há já tanto tempo. Ansiosa por vos ver, às duas meninas da casa, de estar contigo, falar, de sorver um pouco dessa força que sempre me transmites quando estamos juntas (mesmo às vezes sem ser fisicamente). Tinha prometido a ti e a mim que ia, não estabeleci datas, mas sabia que tinha de ir. Finalmente, cheguei. E o tempo que estive com vocês pareceu-me passar tão rápido que por mim tinha ficado horas infindáveis à conversa sem preocupação de voltar para casa. O meu filho a brincar deliciado com o teu, que dotado de uma paciência de irmão mais velho, lhe explicava como funcionavam os brinquedos. O entusiasmo do meu, que só dizia «Olha mamã, esta casa de banho tem peixinhos!». Senti-me bem no vosso espaço. Senti-me muito bem na vossa companhia. E aquela tarde invernosa de Agosto soube-me a doce de abóbora com nozes e chá de canela - quente, adocicada e com um toque de especiarias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso, fui-me embora a contra-gosto qual criança obrigada a ir para a cama a meio da brincadeira. Custou-me o regresso, mas ao mesmo tempo parti a sorrir, ansiosa pelo nosso próximo encontro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-1809041505633521806?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/1809041505633521806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=1809041505633521806' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1809041505633521806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1809041505633521806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/12/doce-de-abbora-com-nozes-e-ch-de-canela.html' title='Doce de abóbora com nozes e chá de canela'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-8185732222310090927</id><published>2007-10-15T17:32:00.000+01:00</published><updated>2007-10-16T10:48:10.126+01:00</updated><title type='text'>Reconheci o teu rosto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Reconheci o teu rosto naquela expressão de dignidade apesar de já se saber que os passos a levavam para o abismo. Reconheci o teu rosto naqueles olhos expressivos e naquela boca sumida que pedia com todas as letras "Deixem-me partir". Nos traços despojados de volume, nos pulsos finos, no pescoço anguloso de quem, inacreditavelmente, já teve outra expressão. Nas mãos, magras, finas, transparentes, adornadas de veias salientes e sinuosas. Reconheci o teu rosto. Estavas por todo o lado, estavas ali, no ecrã, e senti-te tão perto que o meu peito disparou e os meus olhos não contiveram a emoção ali mesmo, à frente de outras pessoas. Reconheci-te naquela expressão de morte lenta que não consigo apagar de mim por mil anos que viva, naquele compasso em que se está apenas à espera que o tempo passe, tic-tac, tic-tac, tic-tac... E o silêncio invade os espaços, transborda, envolve tudo à nossa volta. Dilacera.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconheci o teu rosto no rosto da Rita Ressano Garcia, que faleceu há três meses mas que colaborou num documentário da Alexandra Borges, (espero não me ter enganado), em que dizia que já sabia que ia morrer e apenas pedia cuidados paliativos. Que havia dias que acordava a ganir, que não se sentia humana, que, a partir, que partisse bem, com o mínimo sofrimento possível. Que lhe fazia falta aquele abraço e não mais sessões de quimioterapia que já sabia não lhe prometerem a cura, apenas mais desgaste físico, apenas mais desgaste psicológico, apenas mais sofrimento. Não consegui ver mais, as lágrimas toldaram-me os olhos e os movimentos bruscos da minha cara começaram a fazer-me doer os lábios e os maxilares. De repente veio-me tudo à memória, a tua recaída no dia da mãe, a tua resignação, o facto de te terem um dia lido a sina e te terem dito que morrerias aos 62 anos. Não sabia disso. Quando soube percebi o facto de não estares revoltada. Criança de 12 anos que era não tive acesso a todos os pormenores. Sei que a doença na altura era tabu, que havia pessoas que achavam que era contagiosa, que sofreste algum tipo de discriminação mesmo dentro da família. E pergunto-me incessantemente o quanto sofreste, o quanto, quiçá, ganiste e o pouco humana que te fizeram sentir nas quatro paredes de um qualquer quarto de hospital. Mandaram-te para casa para morreres junto dos que mais amavas. Assim foi. Pelo menos no último momento tiveste a dignidade que mereceste. E a paz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, com quase 30 anos, apercebo-me e questiono coisas que, na altura, não me passavam pela cabeça. E fica uma promessa para cumprir quando tiver mais disponibilidade de tempo. Se a vida assim me permitir. A promessa do voluntariado. Ajudar quem precisa. Quando tiver tempo, quando tiver estofo. Quando tiver forças.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-8185732222310090927?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/8185732222310090927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=8185732222310090927' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/8185732222310090927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/8185732222310090927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/10/reconheci-o-teu-rosto.html' title='Reconheci o teu rosto'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-908903057376482417</id><published>2007-10-02T13:51:00.000+01:00</published><updated>2007-10-02T14:19:33.320+01:00</updated><title type='text'>Não sou fã de rugby</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou fã de rugby. Na realidade não percebo patavina deste desporto de contacto. Sei que é para gente destemida, que transpõe obstáculos, que não se amedronta com o adversário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou fã. Mas fez-me vibrar mais a interpretação d'A Portuguesa que os LOBOS fizeram do que qualquer outra coisa nos últimos tempos. Assim, cantar por um país que não lhe paga para o representar (no qual a licença sem vencimento e o auto-patrocíno se tornam as opções viáveis). Cantar por um país nada promissor, nada risonho, nada feliz. Assim, cantar com a alma toda por um país que não nos augura nada de bom e que tem sido ultimamente um paraíso cinzento e triste. E ponho-me a pensar se não é isto que faz falta. Não é o país. São as pessoas, as convicções, os sonhos, a capacidade de acreditar e ir à luta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faço uma vénia, rendida de comoção e de orgulho: obrigado pelo exemplo, obrigado pelo alento, obrigado pelo sonho. E anseio que esta se torne uma pátria cada vez mais de lobos e menos de raposas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-908903057376482417?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/908903057376482417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=908903057376482417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/908903057376482417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/908903057376482417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/10/no-sou-f-de-rugby.html' title='Não sou fã de rugby'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-2389064140441707061</id><published>2007-08-21T16:43:00.000+01:00</published><updated>2007-08-21T16:53:58.774+01:00</updated><title type='text'>Em toda a parte</title><content type='html'>a distância é um fogo&lt;br /&gt;onde vou chegar&lt;br /&gt;num abraço fechado&lt;br /&gt;para te levar&lt;br /&gt;por campos abertos&lt;br /&gt;por onde puder&lt;br /&gt;levar-te por dentro&lt;br /&gt;para não te perder&lt;br /&gt;nem com mil tormentas&lt;br /&gt;que arrasem o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em qualquer lado&lt;br /&gt;onde quer que eu vá&lt;br /&gt;levo no corpo o desejo&lt;br /&gt;de te abraçar&lt;br /&gt;em toda a parte&lt;br /&gt;onde quer que o sonho me leve&lt;br /&gt;hei-de lembrar-me de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por outros caminhos&lt;br /&gt;hei-de vaguear&lt;br /&gt;num abraço fechado&lt;br /&gt;para te levar&lt;br /&gt;e há uma canção&lt;br /&gt;que um dia aprendi&lt;br /&gt;eu hei-de cantá-la&lt;br /&gt;a pensar em ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em qualquer lado&lt;br /&gt;onde quer que eu vá&lt;br /&gt;levo no corpo o desejo&lt;br /&gt;de te abraçar&lt;br /&gt;em toda a parte&lt;br /&gt;onde quer que o sonho me leve&lt;br /&gt;hei-de lembrar-me de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mafalda Veiga&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S.- Porque hoje a dor da ausência se tornou mais forte, não consigo deixar palavras próprias. Sirvo-me destas para exprimir o que vai por aqui hoje. Mana, este ano não te abracei o que queria. Sente-te abraçada por dentro. A semana passou a voar. Agora vou estar mais um ano agarrada a esta saudade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-2389064140441707061?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/2389064140441707061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=2389064140441707061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/2389064140441707061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/2389064140441707061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/08/em-toda-parte.html' title='Em toda a parte'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-1336629662037984595</id><published>2007-08-08T16:43:00.000+01:00</published><updated>2007-08-08T17:15:25.319+01:00</updated><title type='text'>No turbilhão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No turbilhão que tem sido a minha vida no último mês e meio, ainda me aparecem pérolas que me fazem rir a bandeiras despregadas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Mamã, olha a minha palinha, está gande!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho mesmo um filho precoce... Para além de falar quase correctamente e só usar fralda para dormir, ainda descobriu os prazeres do sexo em frente à televisão a ver o Noddy! Consegui não mostrar a vontade que tinha de rir, não repreendi, só lhe disse para não o fazer em frente a outras pessoas (não sei se percebeu...). Mas o mais giro disto tudo é que, quanto mais tentava manter o bicho dentro das cuecas mais elas levantavam... E eu, que pasmo comigo mesma porque não consigo ver este assunto sem ser desta forma, "tão natural como a sua sede"...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dei por mim, finalmente, a dar a mão à palmatória: há coisas que são genéticas e já percebi que, desde cedo, a atenção dos meninos diverge muito da das meninas... Ai, filho, que ainda só tens dois anos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
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&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-1206814271244137277?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/1206814271244137277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=1206814271244137277' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1206814271244137277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1206814271244137277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/06/ando-muda.html' title='Ando muda'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-5258992250502777435</id><published>2007-06-28T15:41:00.000+01:00</published><updated>2007-06-28T16:57:32.499+01:00</updated><title type='text'>As almas são como os timbres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As almas são como os timbres: não se encontram duas iguais. Perante uma viragem rerpentina (mas há tanto tempo esperada) nas nossas vidas dou-me conta, uma vez mais, de como somos diferentes um do outro. De como tu extravasas o nervosismo e encontras maneiras de dar a volta à situação. De como eu sofro para dentro e tudo me dói, a barriga às voltas, o aperto no peito, o nó na garganta. Como se fosse eu. Mas é contigo. E quase me ofendo quando me repreendes e me dizes que não tenho de estar assim, que é uma estupidez, que tudo passa e que tu é que sabes. Pois, mas estamos juntos no mesmo barco, esqueces-te. Comemos na mesma mesa. Dormimos na mesma cama.&lt;br /&gt;Por outro lado, um problema de saúde seria bem pior e pensando assim até me sinto relativamente bem. Somos jovens, temos braços para trabalhar, tudo o resto é pormenor. Confio que tudo irá melhorar e que as perspectivas que agora se abrem para ti serão muito melhores do que as que tiveste até agora. Que mereces mais, com toda a certeza. Mas até ao desfecho deste episódio permite-me, ao menos, a angústia da incerteza. Sinto que estamos a mudar para melhor, mas mesmo assim todas as mudanças doem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-5258992250502777435?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/5258992250502777435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=5258992250502777435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/5258992250502777435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/5258992250502777435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/06/as-almas-so-como-os-timbres.html' title='As almas são como os timbres'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-5452328653602045220</id><published>2007-06-04T12:59:00.000+01:00</published><updated>2007-06-04T13:00:03.555+01:00</updated><title type='text'>Diz-me quem és...</title><content type='html'>Diz-me quem és...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-5452328653602045220?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/5452328653602045220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=5452328653602045220' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/5452328653602045220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/5452328653602045220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/06/diz-me-quem-s.html' title='Diz-me quem és...'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-5637156247842132380</id><published>2007-05-23T15:51:00.000+01:00</published><updated>2007-05-23T17:15:45.958+01:00</updated><title type='text'>A moda é... privatizar!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A moda agora é... privatizar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se assustem. Não vou privatizar. Este blog já é tão restrito e tão pouco lido (e digo isto sem ponta de dor de corno ou algum tipo de pena) que não valeria a pena privatizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medito sobre o assunto prestes a irritar-me, a indignar-me, a soltar desabafos, críticas mais ferozes e depois... Depois 1, 2, 3 - inspiro, expiro, solto um sorriso e concluo que realmente cada um faz o que quer com a sua vida e cada um põe, dispõe e expõe aquilo que bem entender. Mas cá dentro, pensando no assunto com seriedade, há qualquer coisa que me faz comichão, que me provoca um friozinho na barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me iniciei no mundo dos blogs foi pela leitura de alguns chamados "babyblogs". Primeiro pelo fascínio que sempre tive pelo mundo infantil e pela maternidade. Depois quando chegou a minha vez e tudo me parecia tão assustadoramente novo que me servi de alguns deles para sorver toda a informação que julgava (e continuo a julgar) não encontrar nos livros. E aos poucos, devagar, o hábito foi-se tornando diário. Dei por mim a abrir os mesmos blogs dia após dia, quase pela mesma ordem e a interessar-me pelo quotidiano de pessoas como eu, com dúvidas existenciais como eu, de carne e osso, tal e qual. E assim, de mansinho, entraram para a minha pequena família virtual, aquela família que nós escolhemos, que não nos é imposta pela vida. Apenas num caso a situação extrapolou para a "realidade" e essa pessoa passou dos afectos virtuais aos afectos efectivamente reais numa questão de instantes. Mas esta excepção à regra daria (e dará, concerteza) origem a muitas dissertações emocionadas e não é dela que falo agora. Falo, sim, dos blogs que eu costumava visitar diariamente, em que as portas estavam sempre abertas, onde, a maior parte das vezes, nem sequer comentava, mas que lia com interesse desmedido. Agora dou pela maior parte deles privatizados, alheios à minha leitura, tementes de pedófilos e pessoas mal intencionadas que, bem sabemos, abundam na internet. Desculpem-me, não peço permissão para entrar. Recuso-me a mandar um mail a pedir, por favor, acesso de entrada na vossa vida. Quem sou eu, de facto, que legitimidade tenho para que ma concedam?... Este facto não me choca, só me entristece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me choca mesmo é que muitas destas pessoas não tenham ponderado antes acerca da privacidade/segurança das suas crianças. O que é que muda depois do rapto da pequena Maddie? Nada. Tantas crianças são raptadas todos os dias, já soube de tantas situações ocorridas no Colombo em que as crianças são levadas, rapam-lhes o cabelo na casa de banho, drogam-nas e depois são levadas ao colo, como se de suas filhas se tratassem. Isto já acontece há tanto tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, já tive um blog em que falava da minha gravidez. Deixei-o assim que o meu filho nasceu. Não só por causa da questão da segurança, mas porque não era eu, confinada a um espaço em que só se debatem fraldas e chupetas. Esse não era o meu registo. E depois, quem sou eu para expôr a vida da minha família? Eu penso assim, atenção que não tenho nada contra quem pensa o contrário. Mas o que me faz comichão mesmo a sério é que as pessoas só acordem agora para esse tipo de situações. E pior, incutir medo às crianças quando os pais fizeram aquilo que nunca se deveria fazer: deixar 3 crianças sozinhas a dormir enquanto jantavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: agora que a moda é privatizar digo a todos os que fecharam as portas "Have a good life!". Mas em jeito de conclusão rebato: já não posso com tanto "Privatizámos"...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-5637156247842132380?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/5637156247842132380/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=5637156247842132380' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/5637156247842132380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/5637156247842132380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/05/moda-privatizar.html' title='A moda é... privatizar!'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-2661949474570515874</id><published>2007-05-22T17:39:00.000+01:00</published><updated>2007-05-22T17:45:36.226+01:00</updated><title type='text'>Nº 500 Chegue-se à Frente!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nº 500 chegue-se à frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca eu pensei ter leitores, muitos menos estar quase a chegar às 500 visitas... Este blog foi criado com o intuito de me ler a mim própria, de reflectir comigo mesma. Realmente os meus desabafos interessam a quem? A QUEM?...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volto a repetir: Nº 500 chegue-se à frente. Acrescento: dá-se recompensa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-2661949474570515874?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/2661949474570515874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=2661949474570515874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/2661949474570515874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/2661949474570515874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/05/n-500-cheque-se-frente.html' title='Nº 500 Chegue-se à Frente!'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-470334865160798617</id><published>2007-05-11T16:53:00.000+01:00</published><updated>2007-05-11T17:06:09.165+01:00</updated><title type='text'>Ultimamente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ultimamente sinto-me invadida por um desalento, com os olhos bem abertos, com os sentidos bem dispertos, lúcida, sóbria, desenganada. E o que vislumbro não é, de todo, o que pensei algum dia encontrar: vejo-me sozinha, acompanhada na carne, desacompanhada na alma e no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, por um lado, cá dentro algo me diz que é um compasso de espera, a cabeça manda-me seguir meu caminho pelos meus próprios pés. Quem quizer que me acompanhe ou fica para trás. E sinto-me tentada, todos os dias, a fazê-lo. A voz do meu filho fala mais alto e uma réstia de qualquer coisa que, em tempos, me fez feliz ainda ecoa, ao longe. Não sei bem o que é. Já não me lembro há quanto tempo não sou feliz, assim, com as letras todas, e em todas as instâncias do meu ser. Feliz, por inteiro. Não apenas feliz como mãe. Isso sou-o todos os dias desde que o meu filho nasceu.&lt;br /&gt;Já não me lembro sequer de como era quando era feliz. Será que alguma vez o fui? Sinto-me como um barco perdido no nevoeiro, sem saber muito bem por onde ir, para onde avançar. O farol que me iluminava foi-se extinguindo, ao longe, e preciso encontrar uma luz dentro de mim que me guie e que me leve a porto seguro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
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&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-7648356237602878617?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/7648356237602878617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=7648356237602878617' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/7648356237602878617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/7648356237602878617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/05/chamem-me-o-que-quizerem.html' title='Chamem-me o que quizerem'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-1518296408254515125</id><published>2007-05-03T13:11:00.000+01:00</published><updated>2007-05-03T13:29:04.440+01:00</updated><title type='text'>Pensei</title><content type='html'>Pensei que já não me doesse tanto. Pensei que o tempo me permitisse não chorar. Pensei que, 365 dias depois, a razão levasse a melhor sobre a emoção. Enganei-me. Hoje, como há um ano, volto a chorar por quem não conheci. Hoje, como há um ano, volto a imaginar a dor dos outros e a ficar dobrada sobre mim mesma. Hoje, como há um ano, volto a perguntar como foi possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que eu sei que há um ano não sabia é que é possível construir uma casa, tijolo a tijolo, após uma derrocada. Lentamente, sofridamente, muitas vezes com desalento. O que eu sei, porque alguém me ensinou, é que é possível sorrir ainda que se esteja a morrer por dentro. E quem dá lições destas não são pessoas comuns. São pessoas de alma grande, que abarcam o melhor o e pior dentro do peito, mas cujo brilho dos olhos nos diz que a vida vale sempre a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois também eu mudei. Comovo-me mais com certas coisas, aflijo-me mais com outras. Sou mais exigente, também, nalguns aspectos da minha vida. Acredito que há coisas que, realmente, não merecem o meu tempo nem a minha atenção. Um ano depois também eu mudei. Ainda que não te conhecesse. Estás em mim como se me conhecesses desde sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-1518296408254515125?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/1518296408254515125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=1518296408254515125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1518296408254515125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1518296408254515125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/05/pensei.html' title='Pensei'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-1266634250926521871</id><published>2007-05-03T12:47:00.000+01:00</published><updated>2007-05-03T13:09:42.038+01:00</updated><title type='text'>Sinto-te ou "Pequena Homenagem a Laura Lourenço"</title><content type='html'>Sinto-te na brisa que passa suave,&lt;br /&gt;na água que teima em cair&lt;br /&gt;sobre a terra.&lt;br /&gt;Olho para o céu e tenho a certeza,&lt;br /&gt;são os teus olhos,&lt;br /&gt;azuis,&lt;br /&gt;que me observam.&lt;br /&gt;Sinto-te na relva que cresce ao sol,&lt;br /&gt;nas nuvens que passam,&lt;br /&gt;uma e outra vez.&lt;br /&gt;Sinto-te e sei&lt;br /&gt;que vives com os anjos,&lt;br /&gt;por certo sorris,&lt;br /&gt;que brincas,&lt;br /&gt;talvez.&lt;br /&gt;Sinto-te em mim&lt;br /&gt;num sítio sagrado,&lt;br /&gt;num jardim de cores&lt;br /&gt;distante do mundo.&lt;br /&gt;Porque me chamaste,&lt;br /&gt;se não te conheço?&lt;br /&gt;Porque me acordaste&lt;br /&gt;de um sono profundo?&lt;br /&gt;Dizes que estás bem&lt;br /&gt;pela minha voz.&lt;br /&gt;Por isso me comovo.&lt;br /&gt;Por isso agradeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-1266634250926521871?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/1266634250926521871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=1266634250926521871' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1266634250926521871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1266634250926521871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/05/sinto-te-ou-pequena-homenagem-laura.html' title='Sinto-te ou &quot;Pequena Homenagem a Laura Lourenço&quot;'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-168839748223716291</id><published>2007-03-22T11:21:00.000Z</published><updated>2007-03-22T11:29:29.798Z</updated><title type='text'>Começou a Primavera</title><content type='html'>Começou a Primavera. Dentro de mim instalou-se um frio cortante que me gela os ossos. Tenho quase trinta anos (trinta?) e pela primeira vez tenho plena consciência de mim mesma. Que existo, que sou, que quero, que mereço. A partir daqui apenas caminhará comigo quem souber acompanhar-me, quem souber manter o ritmo, quem estiver em sintonia com a minha passada.&lt;br /&gt;Começou a Primavera. A peregrinação cá dentro continua, comovo-me com o que encontro, emociono-me com esta maneira de ser a ferro e fogo, com esta maneira de sentir as coisas na pele, com esta maneira de tornar talvez mais complicadas e mais pesadas coisas que, para os outros, seriam mais simples. Só sei viver a fundo. Mas tenho vivido à superfície.&lt;br /&gt;Começou a Primavera. E dentro de mim floresço. E dentro de mim me encontro. E dentro de mim sofro e cresço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-168839748223716291?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/168839748223716291/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=168839748223716291' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/168839748223716291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/168839748223716291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/03/comeou-primavera.html' title='Começou a Primavera'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-6073454150445301431</id><published>2007-03-21T15:59:00.000Z</published><updated>2007-03-21T16:26:46.417Z</updated><title type='text'>Não gosto</title><content type='html'>Não gosto de fazer anos. Não é o tempo que me pesa nos ombros qual armadura de metal enferrujado. Não são os anos que me entristecem e me angustiam, que me enraivecem e me trazem as lágrimas aos olhos. Sou eu. Pura e simplesmente eu. Quando me sinto sozinha no meio da multidão, quando entendo que os outros não chegam a mim talvez por este meu orgulho não declarado de me mostrar forte, autosuficiente, autónoma, auto-tudo e mais alguma coisa. Mas não sou, é só a minha capa, a minha casca, a máscara que ponho todos os dias antes de sair.&lt;br /&gt;Não gosto de fazer anos. Acho que nunca gostei realmente. Nesta data sinto sempre que não mereço, tenho sempre pudor em receber prendas, incomoda-me um pouco estar no centro das atenções.&lt;br /&gt;Este ano, com 29 anos, acho que aprendi a gostar desta data. Porque este ano houve três coisas que me marcaram neste dia e que nunca vou esquecer. Três mulheres que, por diferentes motivos, tornaram o meu dia memorável com um gesto, uma prenda e uma companhia. Um gesto que eu não esperava, a prenda que eu realmente queria (e que me ofereceram sem o saber) e a companhia que anseava há já algum tempo. Este ano, com 29 anos, há uma coisa que se mantém: as melhores prendas não são aquelas que custam mais dinheiro, são as mais simples e as que são dadas de coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada à minha mana Marta, à minha colega Sónia e à minha amiga Fátima, por terem tornado este dia num dia memorável. E obrigado à minha mãe e ao meu pai por se terem  lembrado de me conceber!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-6073454150445301431?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/6073454150445301431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=6073454150445301431' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/6073454150445301431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/6073454150445301431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/03/no-gosto.html' title='Não gosto'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-1327104010007446987</id><published>2007-03-05T14:56:00.000Z</published><updated>2007-03-05T16:37:05.321Z</updated><title type='text'>Um dia, quando fores grande</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um dia, quando fores grande, entenderás que por cima de estilhaços também se podem erguer castelos. Um dia, mais para a frente, entenderás que quem já sofreu demais e quem já perdeu quase tudo sabe dar mais valor à vida, às pequenas vitórias que se ganham, aos sorrisos e às lágrimas. Um dia, Juliana, saberás que encheste os braços vazios dos teus pais e lhes deste a oportunidade de sorrir de novo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sê bem-vinda!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-1327104010007446987?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/1327104010007446987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=1327104010007446987' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1327104010007446987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/1327104010007446987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/03/um-dia-quando-fores-grande.html' title='Um dia, quando fores grande'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-6720266438810808799</id><published>2007-03-05T14:25:00.000Z</published><updated>2007-03-05T16:38:28.347Z</updated><title type='text'>Aos vinte anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aos vinte anos escrevia assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O maior defeito da vida humana é a aprendizagem do amor. Tanta coisa que nos ensinam, mas a aprendizagem do amor permanece vedada a intrusões fortuitas. Persevera e continua alheia aos que buscam a facilidade, a alegria, a falta de preocupação constante. Nascemos do amor e o amor buscamos durante toda a nossa existência. Engrandece-nos, mas a ele nos baixamos quando nos surge no caminho. Não há maior fonte de contradições do que esse estado maravilhoso que nos poda e nos verga de cada vez que nos toca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca dei pela escrita à minha volta. Ela esteve sempre dentro de mim como um fogo adormecido que vai reacendendo com o tempo, um sinal abstracto com que me marcaram à nascença, uma doença que me faz mexer os dedos, inchar os olhos, queimar as pestanas pela noite dentro em espasmos e convulsões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrever é para mim quase tão absoluto quanto estar aqui a pensar na vida que vivi, na que me resta ainda, na pessoa que fui até esta parte e em todas as pessoas que passaram por mim sem dar por isso. Escrever é a carne que sou e da qual me alimento, é a migalha na boca e o coração aos saltos, o que sai de mim e a mim retorna, o esforço e a recompensa de uma só vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca me atrevi dizer-me escritora. Sem saber como, sinto que sujo a boca e a palavra me transcende. O facto é que ontem dei por mim de caneta em riste a tecer longas e detalhadas notas sobre o amor nas costas de um bilhete de autocarro. Não reparei em nada até que chegou o revisor e me lançou um olhar de desagrado por cima do bigode, ao qual prontamente virei o bilhete em sinal de respeito, para ele mo picar com um instrumento metálico e enferrujado e seguir por fim, virando-me as costas, pelo corredor sujo e estreito da viatura. Virei novamente o bilhete e reparei, com algum gozo, que o furo tinha acertado em cheio no ó de amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há qualquer coisa nos comuns mortais que os impede de se aperceberem dos pequenos prazeres da vida, como escrever nas costas de um bilhete ou analisar discretamente uma pessoa da cabeça aos pés, sair na paragem seguinte e, num banco de jardim ou numa pedra do passeio, passar para o papel a sua figura em palavras. Há qualquer coia que lhes estanca a imaginação, que lhes prende o cérebro à cabeça e os olhos às lentes dos óculos. Há qualquer coisa misteriosa que lhes restringe os limites daquilo que poderiam ser, com um misto de esforço e atenção ao mundo que nos rodeia."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos vinte anos escrevia assim. Quase uma década depois constato que, realmente, não escrevia nada mal para uma rapariga tão jovem. Mas o que noto mais é que, quase uma década depois, pareço ter aberto a mão em que guardava os meus sonhos e hoje tudo é diferente. O que aconteceu comigo? Passei a viver para fora e esqueci-me de regar o meu jardim, como dizia Voltaire. 2007 é o ano da mudança, tenho essa certeza em mim. E das minhas mãos vão germinar novamente muitos sonhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-6720266438810808799?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/6720266438810808799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=6720266438810808799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/6720266438810808799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/6720266438810808799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/03/aos-vinte-anos.html' title='Aos vinte anos'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-117095062870239385</id><published>2007-02-08T15:59:00.000Z</published><updated>2007-02-08T16:03:48.743Z</updated><title type='text'>...DASSSSSEE!</title><content type='html'>...DASSSSSEE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é OBRIGATÓRIO o menino usar bata no colégio (isto quer dizer: gastem mais 27€ noutra bata que estamos a precisar de dinheiro e só uma não chega) senão começa a ser olhado de lado porque não anda igual aos outros meninos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E informar os pais de um aumento de 15€ mensais, não é obrigatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E informar os pais atempadamente que a educadora do nosso filho  já não é a mesma (por duas vezes em menos de um ano) não é obrigatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...DASSSSSEE! Querem ir-me aos bolsos e eu a ver... Hoje vai haver uma reunião animada, ai vai vai...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-117095062870239385?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/117095062870239385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=117095062870239385' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/117095062870239385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/117095062870239385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/02/dasssssee.html' title='...DASSSSSEE!'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-117042340492165008</id><published>2007-02-02T13:13:00.000Z</published><updated>2007-02-02T13:36:45.090Z</updated><title type='text'>A questão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A questão não é eu ser mãe. É tu seres meu filho. É ter o privilégio de te ver crescer, aprender, de sentir as tuas festas na minha cara e os teus braços que me apertam o pescoço. Tanto, tanto!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ignoro se vai ser sempre assim. Ignoro se, já crescido, vais ter bem noção da comoção que há em mim quando te olho, quando te cheiro, quando te abraço. A vida leva-nos uns dos outros, primeiro lentamente, suave, aos poucos, depois torna-se veloz, devoradora, fugaz. Sei que não me pertences, apenas te dou alicerces para, um dia, voares por ti próprio. Sei que os meus braços cruzados sobre ti devem libertar-te e não prender-te, dar-te ao mundo para que o devores com os cinco sentidos que possuis. Mas enquanto estás no meu regaço, enquanto ainda te maravilhares ao veres o meu rosto, enquanto eu e o pai ainda formos o melhor que há no teu pequeno mundo, deixa-me aproveitar e saborear demoradamente cada instante, cada palavra nova, cada beijinho molhado que me dás. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Beijino à mamã" - sim filho. "A mamã é mia" - pois é, querido. "Rodigo fifino" - és fofinho, filho. E tantas, mas tantas outras coisas que dizes e que me fazem crescer por dentro. Explicas-te tão claramente que me dou conta de que já és um rapazinho do alto dos teus 21 meses. Tão pouco tempo e ao mesmo tempo tão distante... Parece que foi ontem que nasceste e já corres, já pedes bolachas "por favor" ou para te levar ao colo. Estás crescido, filho. E a mãe pára pouco para pensar nisso, porque admirar o teu crescimento tem a sua beleza e é melhor fruir, saborear, do que deitar o tempo a teorizar e a lamentar a passagem dos dias. É melhor viver, já que o tempo não pára façamos nós o que fizermos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca pensei em ter só um filho, mas confesso agora que não tenho ideias de ter mais nenhum. Pelo menos por enquanto, pelo menos enquanto o deslumbramento continuar, enquanto continuar a viver só para ti e não houver espaço para mais nenhuma criança respirar. Egoísmo? Talvez. Tentar dar-te o melhor do meu tão escasso tempo, tentar estar presente sempre que possa, tentar que me conheças além da fronteira afectiva, que saibas quem sou para além de ser tua mãe, apesar de seres tu o epicentro do meu mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-117042340492165008?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/117042340492165008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=117042340492165008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/117042340492165008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/117042340492165008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2007/02/questo.html' title='A questão'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116948261494057487</id><published>2007-01-22T15:50:00.000Z</published><updated>2007-01-22T16:27:14.530Z</updated><title type='text'>Desenganem-se</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desenganem-se: para cada pé não há só um sapato. Podemos calçar sapatos de salto, de cunha, botas, ténis ou até mesmo chinelos.&lt;br /&gt;Aquela ideia de que para cada pessoa só existe uma alma gémea é, para mim, completamente errada. Primeiro porque não acredito em almas gémeas, depois porque cada um dança conforme a música que lhe dão e depois porque a máxima universal que diz que os opostos se atraem não funciona só na química.&lt;br /&gt;Já conheci algumas pessoas, já fui de uma maneira com uma, de outra maneira com outra, e digo-vos sinceramente que tinha as mesmas hipóteses de ser feliz ou infeliz com qualquer uma delas. É claro que gostei mais de uns do que de outros, uns eram mais cavalheiros, outros nem por isso, uns gostavam de mim pelo que era, outros nem tanto. O que quero dizer é que, dependendo daquilo que se quer na altura, existem francas hipóteses de encontrarmos várias peças que encaixem no nosso puzle.&lt;br /&gt;Gosto estupidamente da pessoa com quem estou agora, com quem estou há nove anos para cá, que ajudou a concretizar o meu projecto mais arrojado, daqueles que tem perninhas e bracinhos e diz mamã e papá. Digo estupidamente porque, em dias nebulosos e de pré-desespero, pareço não encontrar razões que justifiquem tal sentimento, logo só pode ser estupidamente porque sou estúpida... Nesses dias por vezes imagino como gostava de ter ao meu lado um homem que gostasse das mesmas músicas que eu, que gostasse de ler um bom livro, que apreciasse um pouco mais o lado sensível das coisas. Começo a imaginar-me calçada com outro tipo de sapato, mais maleável, mais confortável, por vezes, menos pesado. E nesses instantes em que a imaginação toma conta de mim tenho a certeza de que era capaz de usar outro tipo de calçado. Não sou fatalista ao ponto de pensar que eu nasci para estar ao lado desta ou daquela pessoa. Nasci para estar ao lado de quem eu quizer e bem entender e se me apetecer até sozinha, porque não?&lt;br /&gt;A única certeza que tenho é que, por mais que haja dias em que me apeteça descalçar-me, os sapatos que eu escolhi para mim ficam-me bem. Passam por calçadas, saltam poças de chuva, caminham sobre buracos. Uns dias aleijam-me, outros não. Uns dias são quentinhos, outros frios e desconfortáveis. Mas eu continuo, olhando para baixo e admirando os meus pés.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
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&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116723929431405557?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116723929431405557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116723929431405557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116723929431405557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116723929431405557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/12/para-alm-das-palavras.html' title='Para além das palavras'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116680808668414424</id><published>2006-12-22T17:02:00.000Z</published><updated>2006-12-22T17:31:50.300Z</updated><title type='text'>Natal é</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5230/3221/1600/41760/presepiob.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5230/3221/320/468944/presepiob.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Natal é ver o sorriso de uma criança ao acordar. Natal é pegar numa mão dispersa e apertá-la contra a nossa. É lembrarmo-nos que, na vida comezinha de todos os dias, até somos felizes. É sabermos que, para além das lutas de todos os dias, das raivas e dos cansaços, temos alguém do nosso lado. É rir com os que estão perto, pensar nos que estão longe e lembrar os que já não estão connosco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As melhores recordações que tenho dos Natais da minha infância não têm que ver com prendas nem com o Pai Natal. Têm a ver com o conforto que dá estarmos em família, recolhidos no nosso ninho, a lareira acesa, a demanda por musgo para fazer o presépio, as férias escolares de que tanto tenho saudades...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não acredito neste Natal que se vende por aí. Esse Natal não é meu. O meu Natal veste-se de brilhos dentro de mim, de cânticos, do cheiro das filhoses e dos grãos de açúcar das rabanadas. Do travo exótico da canela no arroz doce, do bolo rei, das couves fumegantes e do bacalhau cozido no prato, do cabrito, do borrego, do polvo frito e das batatas regadas com azeite. O meu Natal é tão simples quanto isto. Detesto o frenesim das prendas compradas à pressa, das montras que nos agridem todos os dias e quase nos obrigam a gastar dinheiro, da alegria forjada e da simpatia arrogante só porque é Natal. Eu isso não faço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu Natal é muito vivido à minha maneira. É uma mistura agri-doce de gastronomia e emoção, embargada num quê de alegria e saudade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Feliz Natal aos poucos que, insistentemente, me leem e que o ano que se avizinha seja seguramente melhor do que este que agora acaba. Que o Natal seja festejado por dentro, e não apenas à superfície.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116680808668414424?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116680808668414424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116680808668414424' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116680808668414424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116680808668414424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/12/natal.html' title='Natal é'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116531218531172053</id><published>2006-12-05T09:15:00.000Z</published><updated>2006-12-05T09:53:54.476Z</updated><title type='text'>Não me lembro</title><content type='html'>Não me lembro desde quando é que me habitam. Não sei sequer se existia antes delas ou se, pelo contrário, a sua presença precedia os meus passos. Desde que me lembro de mim que as tenho coladas aos lábios, às mãos, na ponta da caneta que as cospe e empurra contra a aspereza do papel, ressoam nos meus ouvidos, matutam na minha cabeça até que as deixe saír. Contorço-me, por vezes. Praguejo, outras tantas. Mas elas tomam-me de assalto e invadem, ocupam, conquistam todo o meu espaço sem que tenha tempo para lançar um suspiro. Rendo-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes orquestramos palavras, camuflamos o que nos vai dentro, fingimos o que não somos. Por vezes levam-nos ao horizonte da fantasia, esculpimos a forma e esquecemos o conteúdo, atentamos na superfície e descuramos a profundidade. E cremos ser maestros, donos e senhores de todas as vontades, domadores de palavras. Vamos ao engano. Isso acontece quando não existe nenhuma história para contar. Andamos como borboletas ao redor da luz, em círculos permanentes, até que caímos, exaustos, e não mais nos levantamos. E tudo o que dissemos, e tudo o que escrevemos, e todas as palavras que alinhámos umas atrás das outras se perdem e se esgaçam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras trespassam-me quais lanças afiadas, servem-se de mim para atalhar caminho, vergam-me, dominam-me, não pedem licença. Chegam. Dou por mim com as mãos trémulas, a caneta em riste, as pestanas gastas de tanto escrever. Neste prazer-cansaço que tantas vezes me consome, nesta dor morna que tantas vezes me atinge. E deixo-me estar. Deixo-as passar, não levanto obstáculos, estou aqui para isso. Sei. Muitas vezes não me fazem sentido. Terá a verdade que fazer sempre sentido? Muitas vezes são palavras duras, azedas, da cor da noite mas não as calo, não as abafo, não as renego. As palavras doces custam mais a chegar às minhas mãos, muitas vezes permanecem presas na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras nascem no meu coração, passam pelo braço, tomam forma nos meus dedos. Quando ficam presas na garganta ou no estômago é porque ainda não estão prontas para ver a luz e fermentam dias, semanas, por vezes meses. E eu ando num estado quase febril, convulsivo, até que saiam de mim e tomem os seus lugares, tenham a sua voz. Então descanso. Até que me assaltem de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116531218531172053?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116531218531172053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116531218531172053' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116531218531172053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116531218531172053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/12/no-me-lembro.html' title='Não me lembro'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116317704203574861</id><published>2006-11-10T16:23:00.000Z</published><updated>2006-11-10T16:58:53.123Z</updated><title type='text'>Desprendimento</title><content type='html'>Quando penso a sério no assunto, acho que o objectivo primordial de estarmos aqui é conseguirmos praticar sem esforço o desprendimento. Pensarmos nas coisas materiais como acessórias, passageiras, breves com um sopro de vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma criança nasce selvagem, sem condicionalismos, sem regras impostas, sem restrições de quaquer ordem. À medida que vai crescendo vai sendo ensinada a ser gente, a portar-se como gente, a falar, a saber estar, a relacionar-se com os outros. Tem de andar vestida, calçada, tem de aprender a adaptar-se às regras duras da vida, tornear obstáculos, camuflar sentimentos, ser inteligente e educada, como se deseja. À sinceridade de uma criança respondemos muitas vezes com um redondo «Isso não se faz», ainda que ladeado de um sorriso de soslaio quando ela não nos está a ver. Ensinamos a dissimulação, o medo da sinceridade com receio de caír no ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu caminho interior leva-me a crer que estamos cá para praticar o desprendimento, a não nos deixarmos condicionar pelo que os outros pensam de nós, a não deixarmos de dizer o que pensamos, a não entrarmos no sistema de dar e querer sempre algo em troca. Não dar para receber, não plantar para colher. Ainda que o universo nos dê sempre algo em troca, devemos dar pelo acto em si e não esperar retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá um dia em que já não nos interessa a marca da roupa que vestimos, o carro que nos transporta para o emprego, o que mostramos aos outros mas sim o que somos, aquilo em que acreditamos e o que estamos dispostos a fazer por nós e pelos outros. Como se nos tivesse sido arrancada a pele e nos tivesse sido dada a oportunidade de viver de novo, a uma escala bem mais interessante do que a actual. Acho que então estaremos prontos para partir rumo a uma nova aventura, quando formos autênticos, verdadeiros, conscientes da nossa missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de aprender a não sermos dominados nem por pessoas, nem por casas, nem por carros ou empregos. Temos de ver isso como acessório, isso não nos diz quem somos. A nossa verdadeira identidade reside na grandeza da nossa alma, na amplitude do nosso pensamento, no calor do nosso coração. Quem somos está dentro de nós, não na imagem que transparece. Quem somos conjuga-se no verbo SER e não no verbo TER, como erradamente a maior parte das pessoas pensam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116317704203574861?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116317704203574861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116317704203574861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116317704203574861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116317704203574861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/11/desprendimento.html' title='Desprendimento'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116307975874963257</id><published>2006-11-09T13:35:00.000Z</published><updated>2006-11-09T13:44:55.180Z</updated><title type='text'>Ponto de embraiagem</title><content type='html'>O amor é como o ponto de embraiagem: tem de se ter ambos os pés em perfeita sintonia, no ponto certo, não mais abaixo, não mais acima, mas no ângulo correcto que permita seguir em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes somos dois pés descordenados, desconexos, e deixamos o amor ir abaixo. Metemos a chave na ignição uma vez mais, rodamos uma, duas, três vezes e parece que não funciona. Não conseguimos sair do lugar. Avariámos o amor ou esquecemo-nos de meter combustível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começamos a andar a pé, tu com o esquerdo e eu com o direito. Ao pé-coxinho, cada um para seu lado, apercebemos-nos de que há certas coisas propositadamente feitas para andarem aos pares. É o nosso caso - o esquerdo sem o direito não vai a lado nenhum. O direito sem o esquerdo perde o sentido. E então damos novamente à chave e seguimos em frente, às curvas, aos solavancos, mas seguimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116307975874963257?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116307975874963257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116307975874963257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116307975874963257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116307975874963257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/11/ponto-de-embraiagem.html' title='Ponto de embraiagem'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116307875869160628</id><published>2006-11-09T12:33:00.000Z</published><updated>2006-11-09T13:32:59.413Z</updated><title type='text'>Acreditar de olhos fechados</title><content type='html'>Quantas vezes sou invadida por uma certeza premente de que já estive aqui mais vezes, de que já vim à terra antes, de que a minha vida é a continuação de outras e que tenho uma missão por cumprir. Sinto-o. Como uma semente lançada ao vento a planta nasce, floresce, seca e é absorvida pela terra, decompõe-se em húmus e volta de novo ao ciclo interminável da vida.&lt;br /&gt;Por que razão voltamos tantas vezes? Creio que em busca da perfeição, creio que para limar arestas e superar as mais difíceis provas. A minha atitude de há uns tempos para cá mudou: em vez de contornar os obstáculos enfrento-os, transponho-os, por muito que isso me custe. Penso sempre que é mais uma coisa resolvida que não vou arrastar para a próxima vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa-me a aceitar o facto de haver pessoas que vêm a este mundo por um espaço de tempo muito curto, mas o coração leva-me a acreditar que esses seres são seres de luz, quase anjos, que vieram cá abaixo para finalizar a missão que lhes tinha sido destinada. Por muito que esse propósito permaneça velado, alheio ao nosso conhecimento, toldado pela dor dos que acolheram um ser tão especial por tão pouco tempo. Seria esse um último passo para se tornarem anjos? Gosto de acreditar que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anjos para mim são seres de uma pureza extrema, que nasceram com o propósito de nos guiarem pela vida, de nos iluminarem nos momentos mais obscuros, de não nos deixarem desistir por muito que nos sintamos tentados a fazê-lo. As crianças que morrem ascenderão a anjos da guarda? Será esse o propósito da morte de uma criança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito plenamente num universo paralelo ao nosso, numa vida num plano mais elevado, em que as pessoas se dediquem a ajudar os comuns mortais a evoluir, a caminhar por entre a vida com a consciência de que só o bem nos pode levar a algum lado, de que os seus actos terão reflexos numa vida futura, de que há que praticar o bem agora, antes que seja tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil aceitar a morte de um filho, de um irmão, de um neto pequeno. Não se aceita, aprende-se a lidar com isso, mas nunca se aceita. Porque é quebrada uma corrente, porque é invertida a ordem natural das coisas, porque se fica de braços vazios e tudo o que vier depois nunca será igual. Há quem queira voltar as costas à vida, há quem viva com os sentidos adormecidos o resto da vida e, por outro lado, há quem comece de novo apesar de tudo, apesar da devastação, do desespero, das saudades, da dor que não passa. Para conseguir isso é preciso ter muita fé, ainda que se pense que não, é preciso dar o benefício da dúvida e acreditar um pouco que sim, que esta vida continua noutro plano, porque a vida não pode ser só isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Nada se perde, tudo se transforma», como afirmava o Lavoisier. Se existem anjos são crianças de rostos iluminados, seres superiores, pequenos sábios que foram chamados ao céu e que não mais precisarão de regressar a este mundo tão imperfeito que temos na esfera terrestre. Se existem anjos, a tua filha estará entre eles, com aqueles olhos profundos de um azul celeste que tudo tocam, com aquela expressão serena e paciente que ela tinha. Se existem anjos tenho a certeza que ela está na linha da frente - não o sei racionalizar, mas sinto-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anjos existem, mas acredito que apenas algumas pessoas estão preparadas para sentir a sua presença - aqueles que tenham humildade suficiente para acreditar de olhos fechados e para se lançar no abismo de braços abertos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116307875869160628?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116307875869160628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116307875869160628' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116307875869160628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116307875869160628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/11/acreditar-de-olhos-fechados.html' title='Acreditar de olhos fechados'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116048335522260932</id><published>2006-10-10T13:15:00.000+01:00</published><updated>2006-10-10T13:30:21.023+01:00</updated><title type='text'>Quer conhecer-me melhor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quer conhecer-me melhor, diz. Quer compreender-me enquanto pessoa, acrescenta. Eu continuo a dizer que não me conhece, apesar de namorarmos há 8 anos e de estarmos juntos há 4. Somos a água e o vinho, digo eu. Somos o sol e a lua, acrescento. Temos pouquíssimos pontos de intersecção e raros interesses em comum. Mas se estamos juntos, concluo, deve haver uma qualquer razão que a razão desconhece, um qualquer motivo que escapa aos nossos radares. Deve haver, apesar de no momento não conseguir desvendá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes apetece-me dar um pontapé em tudo e seguir a minha vida, virar costas, deixar de me chatear. Por que raio de motivo é que tenho de andar a minha vida toda a remar contra a maré, a enfrentar, a debater, a fazer braços de ferro que não levam a lugar nenhum? Eu sou uma pessoa de paz, de calma, ele é uma pessoa combativa, que gosta de um bom despique, que precisa de competição para viver. Mas depois paro, inspiro, penso se seria mais feliz. Acho que não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quer conhecer-me melhor, diz. Só me apetece dizer «Esta sou eu, estou aqui, lê aquilo que guardo para mim e que ponho no papel em desabafo. Toma, é pegar ou largar». Só me apetece esfregar-lhe este blog no nariz e dizer-lhe que, apesar do que ele muitas vezes pensa, tenho sentimentos, tenho palavras, tenho projectos para mim enquanto mulher e ser humano. Não sou só esposa, mãe e profissional, sabes? Sou muito mais. Não sou só uma máquina de trabalhos domésticos, sabes? Questiono muitas vezes a minha vida, apesar de, na maior parte das vezes, não o partilhar contigo. Mas depois lembro-me do «sagrado que há em nós», como alguém um dia me disse, e concluo que a minha vida será um livro aberto, mas apenas lerá todas as páginas quem se mostrar disposto a isso. Não tenho de ser eu a dar-me a descobrir apenas. Tiro ainda outra brilhante conclusão: raio dos homens... O trabalho que nos dão e a falta que nos fazem!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116048335522260932?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116048335522260932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116048335522260932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116048335522260932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116048335522260932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/10/quer-conhecer-me-melhor.html' title='Quer conhecer-me melhor'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-116048231976335505</id><published>2006-10-10T12:43:00.000+01:00</published><updated>2006-10-10T13:15:03.713+01:00</updated><title type='text'>Tanto resta por dizer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tanto resta por dizer, tanto que me fica no canto da memória, no canto da retina, atirado para bem fundo no meu coração. Tanto por dizer...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabes, avó, pensamos sempre que quando as pessoas já morreram há algum tempo a dor esmorece e dá lugar a serenidade. É verdade, bem o sei, mas o espaço físico que a perda nos deixa é impreenchível e cresce a cada dia. Ainda que mil e uma outras coisas nos ocupem a cabeça. No coração a ferida permanece aberta, latente e quando menos esperamos volta a rasgar, a sangrar e a doer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há dias dei por mim aos prantos quando, na televisão, cantavam uma das músicas que tanto gostavas. «Os meninos à volta da fogueira/Vão aprender coisas de sonho e de verdade/ Vão saber como se faz uma bandeira/Vão saber o que custou a liberdade». Chorei, chorei muito, ouvi-te cantar esta canção ao meu ouvido, recordei plenamente o teu timbre, a tua voz, a alegria que era para ti cantar. E o tanto que te dizia esta letra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois recordei uma outra, do José Cid, e dei por mim a cantá-la com um nó na garganta: «Amar como Jesus amou/ Sonhar como Jesus sonhou/Pensar como Jesus pensou/Viver o que Jesus viveu/Sentir o que Jesus sentia/ Sorrir como Jesus sorria/ E ao chegar ao fim do dia/Eu sei que dormiria muito mais feliz.» Independentemente de acreditar em Jesus ou não esta música em ti faz todo o sentido. E muitas vezes quando me sinto presa por um cordel canto para dentro esta canção e fico de rastos porque me fazes tanta falta, avó, porque apesar de ter aprendido a viver sem ti tudo isto é tão duro e tão absurdo, tudo isto é tão vão sem a tua presença. Depois recomponho-me, tento acreditar que estás bem e que andas sempre comigo no meu peito e acalmo um pouco. Mas deixar de doer não. Nunca deixa de doer. É uma dor mais aguda, mais fina, mas está sempre lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabendo que não sou nem nunca serei perfeita tento, no entanto, dar um sentido à minha passagem pela vida. Tento ser melhor, tento fazer melhor, tento ajudar quem precisa e ajudar-me a mim ajudando os outros. Porque acredito que temos uma missão a cumprir, uns de uma maneira e outros de outra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dou por mim a questionar-me acerca deste querer voltar atrás e avançar ao mesmo tempo, desta nostalgia tão profunda que me invade ao recordar o passado. Quando era pequena perguntavam-me o que queria ser e eu respondia, com muita simplicidade e sinceridade, «Bébé». Parece que já adivinhava que crescer dói. As pessoas achavam que respondia isso por graça, mas não, eu achava que, realmente, ser bébé era do melhor que havia. Credo, como tinha razão! E toda a minha infância desfila qual filme de cinema à minha frente quando ouço o saudoso Carlos Paião a cantar «Então, bate, bate coração/Louco, louco de ilusão/A idade assim não tem valor/Crescer,vai dar tempo p'ra aprender,/Vai dar jeito p'ra viver/O teu primeiro amor». Claro que esta música também dá direito a meia-hora de lágrimas choradas convulsivamente e oo silêncio que depois me invade e fica por preencher. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, avó, não me esqueço de ti por mais anos que passem. Já passaram dezasseis e o que eu descobri até agora foi que a saudade é igualmente proporcional à passagem do tempo. Vamos é aprendendo a resistir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-116048231976335505?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/116048231976335505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=116048231976335505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116048231976335505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/116048231976335505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/10/tanto-resta-por-dizer.html' title='Tanto resta por dizer'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115883249704290148</id><published>2006-09-21T10:31:00.000+01:00</published><updated>2006-09-21T10:54:57.056+01:00</updated><title type='text'>O que me move</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que me move não é ser reconhecida, não é ser importante, não é dizer «Eu percebo» quando não percebo nada. O que me move não é ser boa, nem melhor do que os outros. O que me move está dentro do meu peito e chama-se coração. Está dentro do meu corpo e chama-se alma. Está dentro da minha cabeça e chama-se solidariedade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quantas vezes "exigimos" à sociedade um tratamento VIP que não existe (a menos que seja bem pago), atenções que não têm connosco, delicadezas cada vez mais raras nos dias que correm? Quantas vezes não enchemos a boca para dizer «Eu pago os meus impostos, tenho direito a...»? É bem verdade, devíamos ter direito a tantas coisas que não temos... Direito a ser bem atendidos num hospital, direito a colégios públicos de qualidade para os nossos filhos, direito a garantias de reforma, direito a subsídios de desemprego e licenças de maternidade pagos a tempo e horas. Tanta coisa que realmente necessitamos e não nos é facultada. Mesmo assim, a mentalidade portuguesa baseia-se tantas vezes no «Tenho o direito de ... » e tão poucas no «Tenho o dever de ...». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não venho falar da dor de perder um filho. Essa, felizmente, não conheço. Venho falar de uma iniciativa que visa dar algum apoio a quem passou por isso. Porque é preciso dar para receber, porque, diz-se, a solidariedade começa em casa. Vamos olhar para este projecto com olhos de ver, vamos apoiar da maneira possível (e há tantas formas de ajudar!), vamos unir mãos e esforços para que esta associação possa dar algum conforto a pais que estão a passar por períodos de luto. Porque não basta dizer «Coitados, tenho tanta pena...». É preciso mais do que isso, é preciso agir!&lt;/div&gt;&lt;a href="http://projectoancora.blogs.sapo.pt/"&gt;http://projectoancora.blogs.sapo.pt&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
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&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115824825027236587?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115824825027236587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115824825027236587' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115824825027236587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115824825027236587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/09/como-que-se-explica.html' title='Como é que se explica?'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115798110338454950</id><published>2006-09-11T14:01:00.000+01:00</published><updated>2006-09-11T14:32:19.203+01:00</updated><title type='text'>Irmã da minha alma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Irmã da minha alma, que me soube tão bem a semana que passei contigo. Os jogos de ping-pong, as conversas durante as sestas do piolho, o ver-te e sentir-te tão bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É com lágrimas e comoção que te escrevo, e com alegria também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando dizes que não percebes o significado de "tão longe", que estás quase à mesma distância do que se vivesses no norte do país, sou obrigada a dar-te razão, mas porque raio é que as fronteiras geográficas hão-de ser barreiras entre as pessoas? Vou tentar encaixar isto na minha cabeça e, sobretudo, no meu coração. «Não há longe nem distância», como dizia o Richard Bach. O longe somos nós que o fazemos e estou empenhada em encurtar as distâncias entre nós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se notaste grande diferença em mim. Eu noto. Sei que ser mãe não muda a personalidade de uma mulher, mas maneira como se vê a vida mudou muito, pelo menos para mim. No sentido de não perder tempo com coisas fúteis, de não deixar de dizer o que tem de se dizer na devida altura, no sentido de temer que uma despedida nem sempre dê lugar a um reencontro. Mais lamechas, talvez. Com mais medo, certamente. Com menos pudor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de distantes tenho a certeza de que cada vez te sinto mais minha irmã. Cada vez que te vejo encontro mil coisas minhas em ti. Estranhamente quando olho para o meu filho reconheço também nele traços teus. Para a próxima vou-me lançar nos teus braços e dormir uma sesta enroscada a ti. E nesse momento a vida vai dar um salto para trás e estaremos as duas novamente a dormir abraçadas na nossa cama. Certas de que apenas poderíamos ser irmãs uma da outra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada vez me custa mais deixar-te ir. Cada vez gosto mais de te rever.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115798110338454950?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115798110338454950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115798110338454950' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115798110338454950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115798110338454950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/09/irm-da-minha-alma.html' title='Irmã da minha alma'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115797955528307286</id><published>2006-09-11T13:37:00.000+01:00</published><updated>2006-09-11T14:01:23.770+01:00</updated><title type='text'>Regressei</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Regressei à casa que me preenche a maioria das lembranças da minha infância. Cada pedra, cada telha esconde um pedaço de mim. Em cada parede me reconheço, em cada objecto me encontro. Em cada espaço lembro as brincadeiras de criança com a minha irmã, com as primas, os risos, as sestas feitas a contra gosto nas tardes tórridas de Verão, à espera que fossem horas de darmos uns mergulhos e umas braçadas na água fresca do tanque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A casa vive, fala-me de ti. Ajuda-me a lembrar pormenores que às vezes se me turvam, ajuda-me a ficar pequena de novo, sentir-me no teu colo, aninhada, ouvir os silêncios da natureza e pensar que sempre seria assim. Não foi sempre assim, avó. Infelizmente não foi. Mas os nossos brinquedos resistiram ao tempo, permanecem no móvel alto e envidraçado, olham para mim lá de cima como que a dizer «Lembras-te?». Claro que me lembro. Da boneca de porcelana a quem tricotei vestidos de malha, do gato amarelo de borracha a quem fiz uma coleira em crochet, do pião, dos barriguitas, da pandeireta vermelha com um sapo no meio que me compraram numa qualquer festa da aleia. E o arrepio que sinto ao ver o meu filho com ela na mão a agitá-la... E lembro-me de ser assim, minúscula como ele, e acreditar que a vida era simples e bonita, apenas. Nunca acreditei quando dizias «Aprende que eu não duro sempre». Será que aprendi o suficiente? Não creio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Regressei à casa onde cresceu uma parte significativa do que sou agora. Precisa de cuidados, precisa de atenção, precisa de dedicação, sobretudo. Deitada na cama de criança a olhar para o tecto planeio mudar o chão, pintar os quartos, mudar alguns quadros. Apercebo-me de que me sinto muito bem nesta casa, apesar de precisar de pequenas obras de manutenção. Apercebo-me de que este será, talvez, um processo de renascimento, um reencontro, uma reestruturação interna e externa. As coisas quando não são cuidadas perdem-se, e não é essa a minha intenção. Pergunto-me insistentemente porque não volto mais vezes. Não sei. Mas vou voltar com mais frequência, prometi a mim mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Regressei. E senti que estavas lá à minha espera. Que andaste comigo pelos campos, que ouvimos juntas o sino da igreja de quarto em quarto de hora, que sentimos as duas o vento nas velhas árvores que ainda povoam a quinta. Foi tão bom que nem me lembrava como era bom o gosto das coisas simples. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115797955528307286?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115797955528307286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115797955528307286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115797955528307286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115797955528307286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/09/regressei.html' title='Regressei'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115460987601707994</id><published>2006-08-03T13:17:00.000+01:00</published><updated>2006-08-03T13:57:56.036+01:00</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>Hoje as minhas palavras estão coladas às paredes do coração. Hoje as minhas palavras sufocam e morrem-me no peito, antes que me cheguem à boca para dizê-las, antes que consiga dar-lhes espaço para voar.&lt;br /&gt;Hoje tudo me parece pequeno, insignificante, sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje e sempre, estou contigo. Ainda que em silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115460987601707994?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115460987601707994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115460987601707994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115460987601707994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115460987601707994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/08/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115451814315667472</id><published>2006-08-02T12:09:00.000+01:00</published><updated>2006-08-02T12:29:03.170+01:00</updated><title type='text'>Como é que se aceita</title><content type='html'>Como é que se aceita&lt;br /&gt;uma espada no peito,&lt;br /&gt;um sonho roubado,&lt;br /&gt;o tempo que passa?&lt;br /&gt;Como é que se aceita&lt;br /&gt;o deserto na alma,&lt;br /&gt;o silêncio das palavras,&lt;br /&gt;a saudade que corrói?&lt;br /&gt;Como é que se aceita&lt;br /&gt;a alegria na dor,&lt;br /&gt;a esperança?&lt;br /&gt;Como é que se aceita&lt;br /&gt;o amor,&lt;br /&gt;quando tudo o resto&lt;br /&gt;dói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Catarina Silva&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
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&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115392068273175926?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115392068273175926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115392068273175926' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115392068273175926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115392068273175926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/esta-sou-eu.html' title='Esta sou eu'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115391217192137124</id><published>2006-07-26T11:54:00.000+01:00</published><updated>2006-09-28T14:20:54.396+01:00</updated><title type='text'>Fui ao teu encontro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui ao teu encontro com a alma cheia de luz, com a cabeça cheia de ideias, com as mãos cheias de palavras. Fui ao teu encontro impelida por uma qualquer força estranha, não por pensamentos, não por intenções, por qualquer coisa maior e mais abstracta que não consigo explicar. Nunca me tinha acontecido nada igual. Saír do meu mundinho, galgar passeios, saír do trilho habitual e encontrar alguém que nunca vi. Fui ao teu encontro com ansiedade, com as mãos a tremer, com o espírito embargado numa emoção prestes a transbordar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vi-te. Caíram-me as ideias, fiquei sem palavras, mas a luz permaneceu. Porque tudo o que te poderia dizer era tão pouco, porque todas as palavras que tinha pensado pareciam agora tão sem sentido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não te queria trazer lágrimas, como te disse. Portei-me à altura (não portei?), engoli a angústia, contive as lágrimas, retive os nervos. Mostrei-me como sou, nem mais nem menos. E percebi a importância de nos darmos aos outros sem reticências, sem hesitações, sem disfarces. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que não anulo a tua dor. Sei que tudo o que possa dizer ou fazer não vai aliviar em nada o caminho triste e espinhoso que agora percorres. Mas se conseguir arrancar-te um sorriso que seja já terá valido a pena. Se conseguir vislumbrar uma ponta de esperança nos teus olhos já ganhei muito mais do que ofereci. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para mim não és um náufrago. Para mim não és uma fortaleza. És um ser humano com todas as limitações que isso implica. E reconhecer isso é um grande passo em frente. Mulher com letra grande, é isso que tu és. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não te quero trazer lágrimas, ainda que saibas que para mim não tens de mostrar apenas sorrisos. Não há mais palavras. Como disseste, só há sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115391217192137124?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115391217192137124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115391217192137124' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115391217192137124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115391217192137124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/fui-ao-teu-encontro.html' title='Fui ao teu encontro'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115384644158433562</id><published>2006-07-25T17:48:00.000+01:00</published><updated>2006-07-25T17:54:01.586+01:00</updated><title type='text'>Aviso à navegação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aviso à navegação deste blog: muitos dos poemas que escrevo estão publicados, algures. Sou contra o plágio, contra a cópia, contra o falsete. Podem usá-los como meio, (se para isso servirem), de engatar alguém, comover alguém ou para consumo próprio. Não me interessa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Defendo que as palavras não são de quem as diz mas de quem as ouve, não há palavras que nunca tenham sido ditas, escritas, lidas. Há combinações de palavras originais, palavras não. Apenas peço que não as vandalizem ao ponto de dizerem que foram vocês que as escreveram. Poderiam ter sido, mas não foram. Partilho-as, ofereço-as mas não cedam à fraqueza da cópia barata que se pratica em quase tudo nos dias que correm. Como disse, estão publicadas logo, têm direitos de autor. Tenho dito. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115384644158433562?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115384644158433562/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115384644158433562' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115384644158433562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115384644158433562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/aviso-navegao.html' title='Aviso à navegação'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115384604543447987</id><published>2006-07-25T17:45:00.000+01:00</published><updated>2006-07-25T17:47:25.446+01:00</updated><title type='text'>Não tentes</title><content type='html'>Não tentes,&lt;br /&gt;companheiro,&lt;br /&gt;aprisionar-me&lt;br /&gt;na gaiola dourada&lt;br /&gt;do teu peito.&lt;br /&gt;Ama-me, só.&lt;br /&gt;Sem querer&lt;br /&gt;dominar-me.&lt;br /&gt;Seria&lt;br /&gt;tu perderes-me&lt;br /&gt;e eu, contigo,&lt;br /&gt;pensar&lt;br /&gt;que me encontrava&lt;br /&gt;ao procurar-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Catarina Silva.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115384604543447987?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115384604543447987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115384604543447987' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115384604543447987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115384604543447987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/no-tentes.html' title='Não tentes'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115349793908244858</id><published>2006-07-21T16:51:00.000+01:00</published><updated>2006-07-21T17:06:37.790+01:00</updated><title type='text'>Acertar agulhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/1600/agulha%20trico%20tulipa.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/400/agulha%20trico%20tulipa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acertar agulhas. É como me sinto quando faço malha. Acertar as agulhas da alma, afinar o mecanismo obtuso da cabeça. Sou agulho-dependente. (Mas detesto agulhas daquelas das vacinas. Temo-as, tenho-lhes fobia.).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estas são agulhas amigas, que firmemente seguro nas mãos, com tanto carinho, que agito em círculos frenéticos, que tecem os fios da minha vida. E o trabalho vai saindo, inteiro, das minhas mãos pequenas e finas e digo «Fui eu que fiz». Mentira, foram elas, eu fui só o maestro que orquestrou a sinfonia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faço malha desavergonhadamente no metro, no barco, perante o olhar incrédulo dos outros passageiros. Apetece-me dizer «O que foi, nunca viram?». Retenho-me. Percebo perfeitamente a estranheza que provoco nos outros. Hoje em dia tudo o que fuja ao convencional é, no mínimo, estranho, senão grotesco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concentro-me. Meia, liga, troca de cor, mais uma laçada. Inspiro, expiro. Mais uma volta. Aos que se cruzam digo, mentalmente «No meu tempo mando eu, metam-se na vossa vida». Continuo, agarrada a elas qual vício que não se consegue largar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115349793908244858?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115349793908244858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115349793908244858' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115349793908244858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115349793908244858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/acertar-agulhas.html' title='Acertar agulhas'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115349587864853710</id><published>2006-07-21T16:03:00.000+01:00</published><updated>2006-07-21T16:31:18.660+01:00</updated><title type='text'>Quantas vezes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quantas vezes, na lufa-lufa dos dias, passamos apressados uns pelos outros, ignoramo-nos, tocamo-nos, entrecruzamo-nos, empurrados pela pressa de chegar, a pressa de partir, a pressa de ter pressa para tudo. Quantas vezes um ombro se encosta ao nosso, uma mão nos toca, timidamente, no turbilhão dos transportes públicos, a respiração de alguém sussurra aos nossos ouvidos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andamos, mecanicamente, encadeadamente, qual linha de montagem da vida em que agora esquerda, agora direita, em frente. Olhamos-nos nos olhos e não nos vemos, tocamo-nos e não nos sentimos, empurramo-nos e continuamos dormentes. É preciso chegar depressa, é preciso partir depressa. E nunca ficamos. Nunca temos tempo para reter o olhar nos pormenores, para descobrir os pequenos tesouros que desfilam todos os dias à nossa frente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um dia que algo nos falha e somos obrigados a parar, andar mais lentamente que o habitual, fazer o percurso quotidiano a outro ritmo. E aí levamos um sôco no estômago. Vemos que, como nós, a vida passa e também não se retém nos pequenos nadas que nos falham. Passa-nos ao lado, como nós passamos ao lado de tanta gente dia após dia. E não nos pergunta quem somos, o que fazemos, o que buscamos. Passa. Só.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca sabemos quem se realmente se esconde nos outros. O que está por trás da máscara que todos usamos, que nos prende as expressões do rosto, que aprisiona quem realmente somos quando ligamos o modo automático e vamos, em manada, a correr para os transportes, para o trabalho, para casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um pouco mais de atenção. Um pouco mais de tempo. Um pouco mais de vontade. Seríamos todos seres-humanos muito mais sensatos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115349587864853710?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115349587864853710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115349587864853710' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115349587864853710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115349587864853710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/quantas-vezes.html' title='Quantas vezes'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115330989330864310</id><published>2006-07-19T12:38:00.000+01:00</published><updated>2006-07-19T14:27:13.200+01:00</updated><title type='text'>Sonhei contigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sonhei contigo. Estavas rodeado de gente, estavas com uma expressão leve, feliz, de quem está de bem com a vida e com a morte. Sereno. Encostaste a tua mão à minha cara, deste-me um beijo em cada lado do rosto e perguntaste se eu estava bem, como sempre fazias. Depois, disseste muito calmamente e a sorrir «Tu vois, je suis revenu».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estremeci, acordei estremunhada. Olhei para o despertador. Eram 3.30 da manhã. O meu marido dormia, o meu filho também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Tu vois, je suis revenu» martela-me no pensamento desde essa hora. Voltaste, como se apenas partiste em Março? Já voltaste? Porquê em francês, seria um recado? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pele do teu rosto estava mais brilhante, estavas mais bonito desde a última vez que te vi, inanimado, sem a expressão amena e familiar que era a tua. Foste uma das pessoas que mais me custou que soltasse amarras. Levaste um pouco da minha infância contigo. Tu, o tio Silvério, o primo Lourenço, a minha avó. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há mais uma mão cheia de gente por quem nutro um carinho infantil. Ainda cá estão, mas sei que vão açambarcar o pouco que ainda resta da minha primeira infância quando partirem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que estejas bem, é o que te desejo. Não te temo nem te anseio, se quiseres continuar a visitar-me em sonhos sê benvindo, a porta está aberta para entrares. Amar, amar. Há ir e voltar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115330989330864310?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115330989330864310/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115330989330864310' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115330989330864310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115330989330864310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/sonhei-contigo.html' title='Sonhei contigo'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115330867369536926</id><published>2006-07-19T12:27:00.000+01:00</published><updated>2006-07-21T16:38:06.486+01:00</updated><title type='text'>As violetas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/1600/Violetas.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/320/Violetas.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/1600/Violetas.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/1600/catalog06std1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5230/3221/1600/violetas3.1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;«As violetas não só enfeitaram a janela do meu quarto, mas também a do meu mundo novo que defrontava à minha frente. O amor permanecia além do tempo e do espaço».&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; ("Violetas na Janela").&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigada por partilhares, por também tu enfeitares, como as violetas, o meu mundo. Esse teu gesto é tão grandioso que todas as palavras não chegam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115330867369536926?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115330867369536926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115330867369536926' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115330867369536926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115330867369536926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/as-violetas.html' title='As violetas'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115323230698417721</id><published>2006-07-18T14:38:00.000+01:00</published><updated>2006-07-18T15:37:53.333+01:00</updated><title type='text'>Gostava de saber</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gostava de saber pintar. É um dos sonhos que guardo no baú das coisas inconcretizáveis, mais uma coisa a resolver na próxima encarnação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admiro muito quem consegue passar sentimentos, emoções, medos para uma tela vazia. Para mim é um processo cheio de magia, cheio de encantamento, cheio de pózinhos de perlim-pim-pim, que me transcende, que me emociona. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lentamente as cores vão tomando os seus lugares, os pincéis agitam-se no ar como que em duelo, as ideias vão perfilando umas atrás das outras. E a obra nasce, grandiosa, qual quimera saída das mãos de um alquimista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha mãe e a minha irmã têm este dom. A mim restam-me as palavras e os trabalhos de agulha de que tanto gosto. Trabalhos de velhinha, como gosto de dizer. Que dão cabo da vista, mas um gozo tremendo e um aconchego grande à alma. Até nisto saio a ti, avó! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É com comoção que abro os braços e o coração para receber um quadro de alguém muito especial. Alguém que tem medo de não saber pintar para mim, medo de defraudar as possíveis expectativas que possa criar em relação à sua obra. A essa pessoa digo, com a maior sinceridade possível e SEM GUARDAS, como ela, um dia, me disse a mim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pinta sem medo, aquilo que sentires. Não te preocupes com o objectivo, frui a pintura como um processo em crescendo, não castres a imaginação ao pensares para que se destina. Mais uma vez, o importante não é o caminho, o importante é caminhar. Podes andar de encontro ao objectivo em linha recta, sem nunca perder o objectivo de vista. Mas o melhor, o melhor mesmo e o mais saboroso, é caminhar e parar um pouco para apreciar a paisagem. Aprecia a paisagem, amiga, que eu cá estarei para apreciar o quadro dessa viagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se te ajuda deixo-te algumas dicas: se fosse um animal seria um gato, pela elegância, mistério e independência. Se fosse um número seria o 7 pela superstição que me transmite, ou o 3, número da criação. Se fosse uma cor seria vermelho ou laranja, pelo calor que me trazem. Se fosse um elemento seria água, pela imensidão que trasmite. Se fosse um meio de transporte seria um barco, para velejar sem fronteiras. Se fosse um livro seria o "Sidharta Gautama". Se fosse uma música seria o "Love's Divine" , do Seal ou o "Luka", da Suzanne Vega. Se fosse uma voz, certamente seria a voz mais doce que conheço, a da Suzanne Vega! Se fosse um poeta seria o Fernando Pessoa pela inteligência, mais a virar para o Alberto Caeiro pela simplicidade de ver a vida. Se fosse um escritor seria o Eça de Queiroz ela genialidade. Se fosse uma paisagem, seria uma seara a ondular ao vento num fim de tarde de Verão. Se fosse um cheiro seria o cheiro da terra molhada ou da relva acabada de cortar. Se fosse, se fosse, se fosse... Se fosse a ti pintava sem te preocupares comigo, que eu escrevo a pensar em ti mas também não escrevo a pensar apenas nas coisas que vais gostar de ler. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mãos à obra, minha querida!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115323230698417721?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115323230698417721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115323230698417721' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115323230698417721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115323230698417721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/gostava-de-saber.html' title='Gostava de saber'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115288211339733777</id><published>2006-07-14T13:40:00.000+01:00</published><updated>2006-07-14T14:01:53.406+01:00</updated><title type='text'>Nunca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nunca fui ao cemitério à tua procura. Não fui ao teu funeral, os meus pais acharam que era muito pesado para das crianças como nós. Nunca questionei essa decisão. Fizeram o que acharam melhor, mas custou-me mais a mentalizar-me que já cá não estavas, que fisicamente já não ocupavas o teu espaço neste mundo para além da campa onde te enterraram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca te levei flores. Perdoas-me? Puz-te flores todos os dias, em pensamento, no coração, mas nunca fui ter contigo ao cemitério. Algum tempo depois entendi que já lá não estavas, que estavas em todo o lado, nas grandes coisas e, sobretudo, nas pequenas. No vento que sibila pelos campos, nos pássaros que cantam todas as manhãs, nas flores selvagens que nascem nos lugares mais inóspitos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a consciência que hoje tenho, acredito que ter-me-ia feito bem ter-te visitado. Tocar a terra que tocaste pela última vez, levar-te um raminho de malmequeres, ler para ti um dos salmos de que tanto gostavas. Hoje não tenho onde me dirigir. Não tenho espaço físico para plantar todas as flores que tenho para te oferecer, não tenho campa raza sobre a qual rezar. Tenho apenas o espaço da minha alma para te albergar e o meu coração para te dedicar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cantaram muito no teu funeral, avó, ouviste? Como eu gostava de ter ouvido. Como eu gostava de ter cantado. Deves ter ficado feliz. Vestiram-te a tua blusa amarela preferida, deram-te banho com um amor tão grande como só uma amiga e uma filha poderiam ter feito. Morreste na casa onde passaste quase toda a tua vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinhas sonhado nas noites anteriores que chegavas a uma casa branca, cheia de luz, onde as pessoas se vestiam todas de cores claras e sorriam muito para ti. Estavas preparada para partir, foste em paz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca fui ao cemitério procurar ninguém. Dou por mim a querer levar flores a tu sabes quem. Dou por mim a chorar e a sofrer quase como por ti. Dou por ela a chamar-me ao seu encontro. Tenho de lá ir deixar-lhe flores, acender uma vela, cantar um pouco. Contudo, não quero ser uma intrusa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115288211339733777?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115288211339733777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115288211339733777' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115288211339733777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115288211339733777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/nunca.html' title='Nunca'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115288066950081529</id><published>2006-07-14T13:25:00.000+01:00</published><updated>2006-07-14T13:37:49.510+01:00</updated><title type='text'>Não pretendo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo escrever só coisas tristes, mas que culpa tenho eu que as coisas tristes sejam, muitas vezes, as mais belas? Porque a beleza das coisas está-lhes debaixo da pele e não à superfície, como se pensa. Não pretendo que este seja um blog negro, ainda que muitas vezes fale de angústia, de morte, dos medos que acumulo em mim e dos quais tenho, confesso, alguma vergonha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo moralizar, não pretendo ensinar, não pretendo criticar ninguém. Tão só e apenas partilhar-me com quem esteja disposto a conhecer-me, tão só dizer «estou aqui» para quem precise de o ouvir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tão só e apenas dizer o que penso, o que sinto, o que me move, o que me escapa, o que me falha. Tão só e apenas dizer «sou humana, como vocês». Tão só e apenas dar voz ao que a vida quotidiana tantas vezes me cala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem vier que venha por bem, quem ficar que fique melhor, quem partir que tenha uma boa caminhada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115288066950081529?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115288066950081529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115288066950081529' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115288066950081529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115288066950081529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/no-pretendo.html' title='Não pretendo'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115287916515868485</id><published>2006-07-14T13:02:00.000+01:00</published><updated>2006-07-14T13:25:00.846+01:00</updated><title type='text'>Pirilampo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pirilampo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;que iluminas a noite&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ilumina a minha alma&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;tão sombria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vem trazer-me &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a esperança &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;que me falta,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;faz nascer &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;dentro de mim &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;um novo dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pirilampo &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;que te escondes &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;pelos campos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;vem à noite &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;visitar-me à janela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Traz saudades,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;traz-me risos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;traz-me prantos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;traz-me o brilho &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;imenso&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;dos olhos DELA.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Catarina Silva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115287916515868485?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115287916515868485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115287916515868485' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115287916515868485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115287916515868485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/pirilampo.html' title='Pirilampo'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115279363033618690</id><published>2006-07-13T12:53:00.000+01:00</published><updated>2006-07-14T14:11:43.840+01:00</updated><title type='text'>Escrever, para quê?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrever, para quê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste tempo que estive despovoada de letras, em que as minhas mãos ao invés de comandarem lápis e canetas se entretiveram com fraldas e biberões, muitas vezes pensei que a escrita me tinha abandonado, que me tinha virado as costas, que se tinha esquecido de mim. Não consegui ligar esse facto ao ter sido mãe. Afinal, o que há de mais bonito, de superior ao ser mãe? À excepção de conseguirmos amar os filhos dos outros como se fossem nossos, não há nada mais grandioso do que ser mãe de alguém. Diante toda esta beleza, diante de todo este deslumbramento fiquei muda. As palavras existiam, habitavam em mim ainda que dormentes, mas teimavam em não sair. Tentei escrever noutro registo, tentei manter um babyblog, mas aquela não era eu e, sinceramente, acho que o meu filho vai gostar mais de conhecer a pessoa que a mãe realmente foi do que a data em que nasceu o primeiro dente. Mas sei as datas todas, just in case. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andei muda, mas não cega. Continuei a ler os meus blogues de eleição, a maior parte dos quais babyblogs (adoro lê-los, mas não consigo ser eu a fazê-lo, soa-me a falso), a maior parte deles com o registo dos grandes progressos dos bebés que eu "lia" ainda estavam na barriga da mãe. Mas foi um, especialmente um, que me fez acordar desta dormência. Foi o sofrimento de uma família que me "desengasgou" as palavras, que fez com que as cuspisse cá para fora, que fez com que achasse importante (sobretudo para mim) escrever o que me vai na alma sem querer saber o que é que X ou Y pensam disso. Foi a dor daquela mãe e os olhos daquela filha que me bateram como se me tivessem dado uma tareia, que me desinquietaram, que me fizeram acreditar que a vida é tão breve que deve ser levada da melhor maneira possível. E o melhor, para mim, não é fugir dos medos. É enfrentá-los de peito erguido, para o que der e vier. Ainda que o medo me roa por dentro, há que avançar, sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retomei o meu caminho, reencontrei a minha verdade. Esta sou eu, toda letras, toda sentimentos, sentidos, intuições. Reencontrei-me e tenho uma dádiva para com essas duas mulheres. Uma grande mulher e outra uma menina, um anjo cheio de luz, uma alma tão grande que não cabia neste mundo. Perante a vossa dor as palavras foram-se soltando, desprendendo de mim, ocupando os antigos espaços. É o meu submundo a vir ao de cima, mais uma vez. E dou por mim a amar o próximo, como tu dizias, avó. Agora sei o que é. Estendo a minha mão na esperança de que um dia possa servir de algum apoio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queria, de alguma forma, agradecer. Queria, de alguma maneira, retribuir. E penso «escrever para quê?». Para te fazer uma vénia, curvada sobre a minha pequenez, perante a grandeza da tua alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115279363033618690?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115279363033618690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115279363033618690' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115279363033618690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115279363033618690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/escrever-para-qu.html' title='Escrever, para quê?'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115271165603791652</id><published>2006-07-12T14:03:00.000+01:00</published><updated>2006-07-12T14:44:12.873+01:00</updated><title type='text'>Tu dizias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tu dizias, muito sabiamente, que havia que fazer bem sem olhar a quem. Quando era pequena nunca me apercebi da dimensão dessa frase, mas à medida que fui crescendo foi tomando forma em mim um desejo de deixar a minha marca no mundo, de ajudar quem precisava, de fazer, de alguma forma, com que o mundo de alguém se tornasse melhor por minha causa. Tantos planos, avó, que tracei no ímpeto da adolescência, quando a vida ainda está em projecto, prestes a ser concretizada, passo a passo, tijolo a tijolo. Tantos planos deitados ao vento, por força da vida, que nos ilude, desilude, que nos dá e volta a tirar, que nos faz andar às curvas em vez de andarmos a direito. Afastei-me tanto deles, transformei-me numa pessoa em quase tudo diferente do que tinha imaginado para mim. Nem melhor nem pior, diferente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sonho da minha vida era viver da escrita, escrever "à séria", não esta escrita de consumo rápido que se faz por aí. Mas cedo percebi que sonhar muito alto nos faz queimar as asas e que os chamados artistas não vingam no nosso país. Então, apesar de alguns prémios e publicações de poemas e textos nos jornais, tirei um curso, arregacei as mangas e fui trabalhar. Tirei um curso para ser professora. Sou secretária, avó. Vês a disparidade da coisa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre me imaginei como professora, daquelas que vão para o estrangeiro, ajudar a alfabetizar crianças necessitadas, tomar contacto com culturas diferentes da nossa, sentir a miséria, a fome, a morte de perto. Porque achava que faria a diferença para alguém, porque achava que a minha vida teria mais sentido, porque achava que a maneira de ver a vida se alteraria por completo. A vida não é só este rame-rame de todos os dias, isso eu sei, avó. Mas gostava de saber mais e de poder fazer muito mais. Sempre me imaginei solteira, sem filhos, com um espírito de missão aguçado e sempre de mochila às costas pronta a partir. Gostava de ser assim, mas não sou. Fui-me prendendo por cá, namorado, trabalho, casa, carro, filho. E dou por mim com os braços amarrados e o meu espírito de missão latente. O Ter foi-me tolhendo os movimentos e venceu-me contra o Ser. O tal mundo e submundo de que já falei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostava de adoptar uma criança, mesmo sabendo que, provavelmente, nunca o farei. Porque a pessoa que está ao meu lado não tem força suficiente para aceitar como igual um filho que não seja por nós gerado e eu só me meto nas coisas com bases sólidas e não gosto de brincar com vidas alheias, muito menos a de uma criança. Mas gostava, é um dos sonhos da minha vida. Fica para a próxima encarnação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostava de fazer voluntariado num hospital, mais especificamente, gostaria de dar apoio a crianças em estado terminal. É preciso muita força, eu sei. Mas eu acho que a tenho e creio que me ajudaria a encarar a morte de outra maneira. Por enquanto não tenho tempo e tenho uma criança pequena em casa, o que não me permite frequentar ambientes hospitalares por dá cá aquela palha, mas este sonho vai cumprir-se, tenho a certeza disso. Tanta certeza como estar aqui, agora, a escrever este texto. A morte não tem sentido, como já tantas pessoas me disseram, mas acho que esta experiência me dará outro sentido à vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero testar a força do espírito sobre a matéria, quero pôr à prova o quanto me posso dar aos outros desinteressadamente. Porque a vida não é só isto, não pode ser. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que vimos ao mundo com a missão de superarmos as coisas que não conseguimos vencer na encarnação anterior. Limarmos as arestas, as imperfeições. Até ao dia em que não voltamos mais. Sei que uma coisa a vencer é esta fobia da morte dos outros que me consome. Este pavor que tenho só de pensar, este frio no estômago que me imobiliza. Sei que esta é uma das "falhas" que quero corrigir antes de passar ao próximo nível. Como é que sei? É o espírito que me impele. Ainda que o meu deus não tenha nome nem rosto, acredito que existe uma entidade lá em cima. Pode não ser omnipresente, pode falhar como nós falhamos cá em baixo, mas acredito que ainda estamos na base daquilo que nos espera.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero um dia, como tu tão bem dizias, conseguir fazer o bem sem olhar a quem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115271165603791652?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115271165603791652/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115271165603791652' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115271165603791652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115271165603791652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/tu-dizias.html' title='Tu dizias'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115227331033656707</id><published>2006-07-07T12:23:00.000+01:00</published><updated>2006-07-07T12:55:10.346+01:00</updated><title type='text'>Tenho em mim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho em mim dois mundos que se tocam. Mundo e submundo. Vida e subvida. Pele e entranhas. Creio que ninguém verdadeiramente me conhece. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que as pessoas têm de se descobrir aos poucos, não têm de se dar a conhecer assim, num esgar, num abrir e fechar de olhos. Dar-se a descobrir, sim. Mas o outro tambem tem de querer descobrir, saber mais, empenhar-se na conquista. Hoje em dia é tudo pelo imediatismo, pelo fácil, pelo «já está», pelo «queres ou não queres». Não há tempo a perder. Eu nunca fui assim e duvido que alguma vez o serei. Cada vez mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me do tempo em que era importante escutar em vez de ouvir e ver em vez de olhar. Quebrar a superfície para se chegar ao que está por dentro, tocar a pele para chegar à alma das coisas. Serei só eu a querer perder tempo com isto? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entristece-me perceber que ninguém me conhece "do avesso". Saber quem realmente sou, quais os meus sonhos mais insondáveis, o que é que me toca, o que me faz rir, o que me faz chorar? Sei que não sou uma pessoa linear, sei que para chegar a mim só há dois caminhos: pelo meu mundo ou pelo meu submundo. Os que chegam pelo segundo raramente se vão embora, não os deixo partir, como a ti, avó. Guardo-os em mim para sempre, nem que não os veja nunca mais. Tenho um amigo com quem falo de longe a longe. Contudo, continuo a considerá-lo o meu melhor amigo. E para mim continuam a ser essas pessoas que valem a pena. Chateia-me é o facto de o mundo estar cheio das outras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os que olham para mim nem imaginam o que me vai por dentro, o que me passa pela cabeça, o que me enche ou pesa no peito todos os dias. Há em mim muito de intuição, muito de fé, pouco de religiosidade. Porque para acreditar não preciso de ter quem me diga como nem porque parâmetros me devo reger. Porque não preciso ter um deus para ter fé, não preciso de uma igreja para rezar. E rezo, todos os dias, por palavras que eu própria encadeio, por frases que saem de mim e não de um livro qualquer, com uma crença que é minha e não dos outros. Não me lembro há quantos anos isto me acontece, creio que foi depois da tua partida. Surgiu em mim a necessidade de falar comigo própria, de olhar para dentro, de fechar os olhos e sentir. Desde aí que me sinto como se tivesse duas vidas. E cada vez que a vida me corre menos bem, paro, concentro-me, preparo-e para fechar os olhos e sentir.  E então, por entre estilhaços, por entre lágrimas e gritos, sinto-me liberta, sinto-me nova, de alma lavada. E as coisas relativizam-se e tomam a dimensão que lhes dou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Melhor do que eu disse, um dia Ricardo Reis:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;«Para ser grande, sê inteiro: nada&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Teu exagera ou exclui.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sê todo em cada coisa. Põe quanto és&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;No mínimo que fazes.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Assim em cada lago a lua toda&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Brilha, porque alta vive.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quero ser grande, quero ser inteira, ainda que para a maior parte das pessoas isso não tenha a mínima importância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115227331033656707?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115227331033656707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115227331033656707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115227331033656707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115227331033656707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/tenho-em-mim.html' title='Tenho em mim'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115218640908542144</id><published>2006-07-06T12:38:00.000+01:00</published><updated>2006-07-06T12:46:49.096+01:00</updated><title type='text'>A vida empurra-nos para a frente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vida empurra-nos para a frente. Impiedosa, sem contemplações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque nós nos esquecemos que somos seres imperfeitos, de carne e osso e sangue e veias, perecíveis e vulneráveis, frágeis. E quem pensar o contrário por certo anda enganado. (Não andamos todos?). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida empurra-nos para a frente, para trás, para os lados, em círculos, a direito, aos zigue-zagues. E nós vamos andando, arrastados, empurrados, puxados por uma força que nos contraria a vontade e que nos domina e que não nos deixa parar. Assim é. Ainda bem que assim é. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigada, amiga, por nos dares exemplos de grande nobreza de alma todos os dias. Por partilhares connosco os teus pequenos passos, as tuas pequenas conquistas. A dor vai passar, as saudades permanecerão sempre, cada vez mais, mas a vida empurra-te para a frente. ANDA, como diz o teu filho, não desistas e tem sempre a certeza, sempre, que ELA anda contigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115218640908542144?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115218640908542144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115218640908542144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115218640908542144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115218640908542144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/07/vida-empurra-nos-para-frente.html' title='A vida empurra-nos para a frente'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115159793851070126</id><published>2006-06-29T16:59:00.000+01:00</published><updated>2006-06-29T17:18:58.523+01:00</updated><title type='text'>De mão na mão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De mão na mão. Foi assim que fizemos a viagem de regresso a Lisboa dois dias antes de tu partires. Viémos os quatro de táxi, eu sempre junto de ti, com a mão enlaçada na tua, de ombro encostado ao teu. Passávamos pelas árvores, pelas serras, galgando a estrada imensa de alcatrão que ficava cada vez mais distante. As duas, pela última vez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me dessa viagem como se tivesse sido ontem. Parámos para fazer chichi e para comer melão. Voltámos para dentro. A viagem que antes fazíamos de combóio fizemos, desta vez, de carro. Não havia tempo a perder e todo o conforto era necessário. Mas nós as duas parámos, aquela viagem cristalizou as horas, fê-las estender até ao infinito. Os outros não estavam ali, eramos só nós. A duas. Não voltaria a ver-te, agora sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fomos a viagem inteira a apertar a mão uma da outra. Creio que fui eu que comecei, para saber que ainda estavas comigo. Tu respondias, apertavas a minha com carinho, e eu teimava e tu voltavas a responder. Horas nisto. Em silêncio, na nossa linguagem própria, feita de gestos e sentimentos que tão bem entendíamos. É a recordação mais doce que tenho comigo. A despedida que fizemos uma da outra, em silêncio, longamente. Penso que ninguém o soube. Que ninguém o sabe ainda. Eu não contei, e tu? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A última imagem que tenho tua foi debruçada no corrimão, à porta da casa onde passei tanto da minha infância, a abraçares-me com os olhos, a dizer-me adeus para sempre. Não voltaria a ver-te, agora sei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115159793851070126?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115159793851070126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115159793851070126' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115159793851070126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115159793851070126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/de-mo-na-mo.html' title='De mão na mão'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115150910904499677</id><published>2006-06-28T16:20:00.000+01:00</published><updated>2006-06-28T16:58:11.776+01:00</updated><title type='text'>Diferentes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Diferentes. Em quase tudo. Especialmente na maneira de ver a vida. O que nos juntou? Sem dúvida a maneira de senti-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vivo com uma pessoa que é o meu oposto em quase tudo: e eu digo branco ele diz preto, se eu digo sim ele diz não, se eu digo direita ele diz esquerda. É trabalhoso e, muitas vezes, cansativo, viver a minha vida assim. Contudo, uma coisa de que eu não me posso queixar é de que a minha vida seja monótona, como tu tão bem disseste no outro dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A nossa vida não é um lago de águas paradas, é um mar revolto e muitas vezes tempestuoso que se agita ao sabor das marés. É um movimento contínuo, um atrito constante, uma história de cedências e declarações de guerra/paz a cada momento. É uma luta que não acaba nunca, com pormenores de rebuscada mesquinhez e casmurrice aqui e ali. Somos infantis, por vezes, somos teimosos, orgulhosos, insubordinados. Muitas vezes esquecemo-nos do companheirismo, da cortesia, às vezes até da educação. Mas nunca nos esquecemos um do outro. Nunca. Por muito virados do avesso que estejamos, por muito magoados, por muito que ameacemos bater com a porta. Por muito que tenhamos sonhado a nossa vida diferentemente, por muitos sonhos que tenhamos deitado por terra. Nunca nos esquecemos um do outro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por mais que pense ainda não consigo chegar a uma conclusão acerca dos motivos para estarmos juntos. Serão necessários motivos? Acho que não. Tudo reside no facto de as nossas cabeças raramente se cruzarem, mas dos nossos corações baterem em uníssono. Terá sido o amor feito para ser pensado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu amo com o coração e não com a cabeça. Não racionalizo, sinto. E a sentir somos iguaizinhos, tirados do mesmo saco. Acho que é por isso que ainda estamos juntos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115150910904499677?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115150910904499677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115150910904499677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115150910904499677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115150910904499677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/diferentes.html' title='Diferentes'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115150477550936829</id><published>2006-06-28T15:13:00.000+01:00</published><updated>2006-06-28T15:33:03.116+01:00</updated><title type='text'>Há uma coisa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uma coisa no meu filho que me delicia, que me enche a alma, que me aquece por dentro. Há muitas, mas esta, especificamente, deixa-me rendida, emocionada: é a pessoa que mais gosta de me ouvir cantar. Aliás, é a única pessoa para quem canto sem me preocupar se o faço bem ou mal. Quando está a cair de sono, birrento, irrequieto, a receita é fácil e eficaz: tomo-o nos meus braços e canto. E aí ele começa a encostar a cabeça ao meu ombro, a coçar os olhos e o nariz, a fazer-me festas na cara. Continuo a cantar, e não o faço em surdina, canto mesmo, ao ponto do meu marido me perguntar se estou a dar algum concerto. Não me importo, o meu filho gosta e eu também. Ele, que por enquanto ainda não encadeia palavras e, por isso, ainda não pode reclamar, começa a encostar a cabeça ao meu antebraço (normalmente o direito) e a pedir que o deite e que continue a cantar. Se paro abre os olhos e fixa-me longamente, como quem diz «Então?». Este momento é só nosso, e se antes era complicado adormecê-lo e, por falta de força, tinha de ser muitas vezes o pai a fazê-lo, agora não prescindo de ser eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidi não cantar só canções de embalar bebés, decidi partilhar com ele canções que gosto muito e que consiga cantar minimamente. Partilho hoje esta, que é, da actual selecção, a que funciona melhor. Não sei se pelos meus agudos se pela monotonia da letra. O que é facto é que gostamos muito de a ouvir/cantar:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Haja o que houver&lt;br /&gt;eu estou aqui&lt;br /&gt;haja o que houver&lt;br /&gt;espero por ti&lt;br /&gt;Volta no vento&lt;br /&gt;Ó meu amor&lt;br /&gt;Volta depressa&lt;br /&gt;por favor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quanto tempo&lt;br /&gt;já esqueci&lt;br /&gt;Porque fiquei&lt;br /&gt;longe de ti&lt;br /&gt;Cada momento é pior&lt;br /&gt;Volta no vento&lt;br /&gt;por favor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei&lt;br /&gt;Quem és para mim&lt;br /&gt;Haja o que houver&lt;br /&gt;volta para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pedro Ayres Magalhães)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E lembro-me então, avó, do quanto gostavas de cantar e que bem que o fazias. E encho-me de luz cada vez que canto, porque o faço para o meu filho mas sempre a pensar em ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115150477550936829?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115150477550936829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115150477550936829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115150477550936829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115150477550936829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/h-uma-coisa.html' title='Há uma coisa'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115141058683312991</id><published>2006-06-27T12:46:00.000+01:00</published><updated>2006-06-27T13:24:53.843+01:00</updated><title type='text'>A dor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A dor é terrível, imensa. Imagino que seja. Não sei, de todo, mas deve ser. Estamos minimamente preparados para irmos perdendo familiares mais idosos. Vão partindo, aos poucos, vamos aprendendo a libertá-los de nós, devagarinho, na maior parte das vezes, por vezes de repente. Custa sempre, mas no fundo entendemos que a lei da vida se cumpre, ainda que mesmo assim nos pareça injusto. Vamos abrindo os braços, vamos abrindo mão até que eles não estão mais connosco mas em todo o lado e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum.&lt;br /&gt;Nunca estaremos preparados para perder um filho. Que estupidez tão grande, que absurdo tão grande, que sentido terá perder um filho? Nenhum, estou certa. Ainda que mais tarde as coisas se arrumem na nossa cabeça, ainda que mais tarde consigamos enfrentar a situação de frente, ainda que mais tarde tudo pareça ocupar o devido lugar. O que permanece será o vazio, os braços cheios de saudade, o peito cheio de silêncios, os olhos cheios de nada. E o mais absurdo, o mais injusto e o mais cruel é que sobrevivemos à morte de um filho. Morremos por dentro, a alma seca, encolhe, enche-se de feridas e envelhece para sempre, mas o corpo permanece, sobrevive, fisiologicamente continua o seu caminho. E isso dói, magoa. Devia parar tudo, o mundo devia deixar de existir, deviamos morrer também. Apodrecemos por dentro, aqui está a tradução fiel. Sem mais palavras, sem mais definições. Apodrecemos. E o mundo continua, impassível, indiferente à tragédia que se abateu sobre as nossas cabeças, e todos os dias o sol amanhece e se põe como se nada fosse.&lt;br /&gt;Falo de cor. Não sei e espero nunca saber o que custa perder um filho. Aproximo-me da dor de outrém, dói-me também só de pensá-la, mas não consigo alcançar a medida da dor que se tem. Nem quero. Quero apenas e só que essa pessoa saiba o quanto mudou a minha vida, o quanto o seu pequeno anjo significa para mim e para tantos que nunca, sequer, o conheceram. Quero apenas que essa pessoa saiba que lhe ofereço aquilo que muito humildemente tenho para lhe dar: palavras. Sei que não chega, sei que não diminui a sua dor, mas se ajudar um pouco já me dou por satisfeita. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de passares por caminhos de trevas e por túneis obscuros vais encontrar a luz. Por mais que tarde, por mais que custe andar por caminhos escuros, por mais cruel que seja andares com os olhos velados, às cabeçadas contra as paredes. Esse é, para já, o teu caminho, a tua dor. Inteira, só tua, à tua espera. Ninguém poderá passar por ela por ti. Só tu poderás enfrentá-la, debater-te com ela, derrotá-la após muita luta. A única coisa que podem fazer por ti é escutar-te e dar-te força, coragem, ânimo.&lt;br /&gt;Por vezes para darmos um passo em frente temos de dar dois passos para trás. Não interessa, para a frente, para trás, o que interessa é caminhar. Acredita que vais ser um pouco mais feliz do que agora, não interessa como, faz apenas o esforço de acreditar. Ainda que não tenhas força para, de momento, pensar como o vais fazer.&lt;br /&gt;Desculpa por falar de uma dor que não conheço, desculpa se as coisas que te digo não fazem sentido, desculpa por querer-te tanto bem mesmo sem te conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115141058683312991?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115141058683312991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115141058683312991' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115141058683312991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115141058683312991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/dor.html' title='A dor'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115105995525537036</id><published>2006-06-23T10:41:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T11:52:35.283+01:00</updated><title type='text'>Não tenho medo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não tenho medo de dizer as coisas, mas no papel saem-me mais claras, mas límpidas, mais verdadeiras. Ao dizê-las por vezes distorço-as, interrompem-me a linha de pensamento e cortam-me o raciocínio e eu baralho-me e digo o que quero, mas de outra maneira. Ao escrevê-las não há margem para erro, são exactamente aquilo que eu quero dizer. Pelo menos para mim, para quem lê terão, talvez, outra interpretação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho medo de deixar coisas por dizer. Aos meus pais, ao meu filho, ao meu companheiro, mas sobretudo, à minha irmã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem que a família não se escolhe, mas eu acho que sim. Se eu pudesse escolhia-te outra vez para minha irmã. Temos ano e meio de diferença, mas eu fui a "mais velha" em quase tudo. Quando andávamos na escola primária ela escondia o saco da natação dentro do meu, tal era a fobia da piscina. Quantas vezes não foi a minha mãe dar connosco sentadas na escadaria da entrada, eu sentada e ela deitada, a chorar, no meu colo?... Quantas vezes não levou tareia de mim, pelo simples facto de que eu era a mais forte e ela a mais frágil? Tive mais namorados do que ela, conhecia sempre mais gente no liceu, era mais popular, tive o meu período primeiro, fui trabalhar primeiro, saí de casa dos pais primeiro. Mas numa coisa ela foi a primeira - na atenção que ganhava lá em casa por ser a mais frágil, por ser a deprimida, a incompreendida. Tive muitas vezes ciúmes, agora admito-o, mas nunca lhe quiz mal. Muitas vezes me pareceu estar lá em casa por acidente, que se eu desaparecesse ninguém daria pela falta. A isso tudo eu reagi com uma aparente indiferença, que eu era a filha mais forte, equilibrada, que não precisava de atenção dos outros para sobreviver. Cresci em muita coisa sem contar com a ajuda de ninguém, não porque não ma dessem mas porque era orgulhosa o suficiente para a recusar. Equilibrei-me a mim própria, sobretudo por ter a noção de que os meus pais já passavam por bastante com a minha irmã, que eu não devia maçá-los com as minhas dores de crescimento. Tive sorte, não saí muitas vezes de órbita, passei ao lado de muita coisa que me podia ter feito sinceramente mal. Depois disto tudo, só posso concluir que a vida tem uma ironia do caraças. Há cerca de quatro anos os meus pais construíram a vivenda dos seus sonhos e a família destroçou. Primeiro eu saí de casa, depois foi ela. Eu fui viver para a outra margem do rio. Ela, para França. A frágil, a desprotegida foi para o mundo, sem rede. E o mais fantástico: deu-se bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os meus pais ficaram com o síndroma do &lt;em&gt;ninho mais que vazio&lt;/em&gt;, valeu-lhes o facto de terem mudado de casa, de ser esse o seu projecto de sonho na altura. E eu, que nunca estive habituada a ter as atenções centradas na minha pessoa, dou por mim qual filha única, a tentar suprir a carência das filhas que agora existe nos meus pais. Não sei se sou boa nisso, mas tento. E o apoio que tenho no meu dia-a-dia são eles e o deles penso ser eu. Coisa estranha. As voltas que dá o universo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, no entanto, uma sensação que me consome. Às vezes sinto-me um pouco órfã de irmã. Ela vive, graças a Deus, mas está longe e o nosso convívio que antes era diário passou agora a ser esporádico e através da net ou do telefone. É o possível, mas não é igual. Eu sei que ela agora é mais feliz e eu também o sou por isso, mas custa. Antes dormíamos juntas por opção - sempre tivémos dois quartos e duas camas. Há tanta coisa que eu não lhe digo por causa deste defeito estúpido que tenho de gostar de escrever em vez de dizer. Eu sei que a minha família a longo prazo, a minha família de sangue, será a minha irmã. E é mais por isso que me custa tê-la longe. Não me quero tornar uma estranha para a pessoa que, acredito, melhor me conhece. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou tentar dizer-lhe tudo. Não sei se consigo, mas vou tentar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115105995525537036?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115105995525537036/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115105995525537036' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115105995525537036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115105995525537036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/no-tenho-medo.html' title='Não tenho medo'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115105469962602702</id><published>2006-06-23T10:08:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T10:24:59.633+01:00</updated><title type='text'>Uma das coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma das coisas que recordo com mais emoção são as viagens que fazíamos de combóio, quando íamos contigo e com o avô para a terra. A sensação das paisagens, a cabeça fora de janela, o vento a bater nos cabelos, os cheiros, os campos verdes, as casinhas baixas por entre o "pouca terra, pouca terra", que se prolongava durante toda a viagem, que nos embalava a certeza de podermos ser o que quizéssemos na vida e chegar a todo o lado! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a recordação mais querida, mais doce que guardo em mim é aquela de, meia hora antes de chegarmos ao destino, tirares um pequeno pente da mala e nos penteares, às duas, para chegarmos compostas à estação. As tuas meninas, foi o que fomos, avó. Segundas filhas que ajudaste a criar com tanto carinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostava de um dia proporcionar ao meu filho esta sensação que ficou em mim destas viagens que fizémos. Será possível, não será mais que um revivalismo forçado? Não sei, mas gostava. Encolhe-se-me a alma ao constatar que o combóio já não chega ao anterior destino, que já não faz alguns dos muitos apeadeiros de antes, que pára na cidade e pronto, quem quizer tem de esperar pela "automotora". Triste. Andamos de carro, agora. Atalhamos caminho, vamos a direito e não às curvas como outrora. Mas gostava que o meu filho conhecesse cada kilómetro da via férrea que antes me levava direita ao sonho, cada terriola, cada apeadeiro. O importante não é o caminho, é caminhar.  O importante não é o destino, é o percurso. E hoje, tantas vezes nos esquecemos disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115105469962602702?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115105469962602702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115105469962602702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115105469962602702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115105469962602702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/uma-das-coisas.html' title='Uma das coisas'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115099581871582332</id><published>2006-06-22T17:49:00.002+01:00</published><updated>2006-06-29T17:23:58.716+01:00</updated><title type='text'>Naquele dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquele dia estávamos à mesa, os quatro. Era hora de almoço e as sardinhas, lembro-me, estavam em sangue. Não consegui comer. Nunca mais consegui comer. O telefone tocou e eu estremeci. Soube, antes que alguém atendesse, que te tinhas ido embora. Fiquei 14 anos sem comer sardinhas. Só como há dois, por insistência do meu marido, porque me obrigou a vencer esta repulsa que eu ganhei desde então. Agora gosto, muito, outra vez. Mas não me passa uma sardinha pelo estreito que não tenha também o gosto daquele 8 de Setembro longínquo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me de ter sentido uma paz grande, um alívio. Desculpa, avó, mas vistas as coisas à distância, sim, foi isso que senti. «Já está», lembro-me de pensar. Senti remorsos mais tarde. Agora não, sei que foi o melhor para ti, bastava de sofrer em silêncio. Uma batalhadora, tu! Sofreste consciente do que te esperava, mas não foste com medo. Foste em paz, de cabeça erguida, com dores, mas forte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estas cartas não são de sofrimento, avó. Esse já passou. São de saudade. Agora já não sofro por ti, avó. Agora sorrio, porque estás aqui. Porque sei que estás bem. Porque venci o medo que era ter medo de te esquecer - já vi que nunca, por mais tempo que passe, vou esquecer o teu cheiro, a tua voz, o teu rosto. Impossível. E para mim está bem assim, era isso que eu queria. Agora tenho a certeza. Acompanhas-me, vigias o meu caminho, iluminas a minha vida. O tempo passou e eu só sinto que falta menos tempo para te encontrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele dia eu morri por dentro, mas plantaste em mim uma semente que não morre nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115099581871582332?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115099581871582332/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115099581871582332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115099581871582332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115099581871582332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/naquele-dia_115099581871582332.html' title='Naquele dia'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115098630221075192</id><published>2006-06-22T15:11:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T15:25:02.223+01:00</updated><title type='text'>Todos os dias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos os dias dou por mim a falar contigo. Para mim é normal, é o meu dia-a-dia. Esquizofrenia? Quem sabe? Prefiro assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falo para dentro, falo como se pensasse, não com a boca mas o pensamento, com o coração. E esse gesto para mim é tão trivial que me envergonho de não o partilhar com ninguém, nem com a pessoa que dorme comigo todas as noites. Iria compreender, achar-me-ia tonta, demente? Pouco interessa. Este é um assunto só nosso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos meus livros preferidos é o «Cândide», do Voltaire. A ideia que fica é que uma pessoa, por mais solavancos que leve da vida «&lt;em&gt;deve sempre continuar a cultivar o seu jardim&lt;/em&gt;», porque as flores florescem da terra mais agreste. E eu acredito que a vida é exactamente isso, é o mandar-nos para o chão todos os dias para que aprendamos a erguer-nos e caminhar direitos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muita coisa acontece na vida sem uma razão, também acredito nisso. A Laurinha, por exemplo. Foi um azar que não devia ter acontecido. Nunca deveria ser permitido morrer uma criança. Mas morrem tantas, avó, todos os dias! Acredito, contudo, que a sua mãe vai um dia continuar a cultivar o seu jardim. E que os olhos imensos da Laura estão postos nela, no pai e no irmão. E que um dia todos se vão reunir em abraços, beijos e carinhos. Este é um assunto que também não divido com ninguém sob pena de ser cotada de "maluca", por sofrer tanto por alguém que não conheço. Divido contigo, porque sei que me percebes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos os dias te encontro em mim, todos os dias, para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115098630221075192?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115098630221075192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115098630221075192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115098630221075192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115098630221075192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/todos-os-dias.html' title='Todos os dias'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30099361.post-115098462525475234</id><published>2006-06-22T14:40:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T14:57:05.266+01:00</updated><title type='text'>8 de Setembro de 1990</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Esta é a data da tua partida. 16 anos, avó, 16! Que nos separam no tempo e no espaço mas nunca no coração, no coração estás cada vez mais inteira, cada vez mais cravada em mim, cada vez mais presente. Era uma criança de 12 anos.  Cresci. Tenho 28, sou mulher e mãe, avó, vê no que me tornei. Tinha tantos sonhos, tantas ambições que foram ficando pelo caminho. Inventei outros, os possíveis, aqueles pelos quais consegui lutar. Sou feliz, acho que sou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Tinha 12 anos, tenho 28. Mais de metade da minha vida foi vivida sem ti. Mas sei onde estás, estás aqui, sempre comigo. É a ti que rezo, és o meu deus, a minha fé. Omnipresente. Sinto tantas vezes que eu sou tu em mim, que sou como tu já foste, apesar de saber que somos distintas. É uma sensação tão estranha e tão boa, sentir e saber que vives em mim, que te penso, que te sinto, que te recordo traços, a voz, as mãos, o riso que ainda me inunda os ouvidos quando me concentro um pouco para te deixar entrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Naquela altura percorri os caminhos do medo, da solidão, da tristeza calada que não ousei partilhar com ninguém. Nem com a minha mãe, nem pai nem irmã. Senti-me sozinha, como se o meu sol se apagasse. Renasceste em mim não tardou muito, senti-te chegar, instalares-te nas fundações da minha alma, ocupares o lugar de onde, no fundo, nunca saíste. Assim é o tempo. Obrigada por teres vindo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;
&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30099361-115098462525475234?l=cartasaminhaavo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/feeds/115098462525475234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30099361&amp;postID=115098462525475234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115098462525475234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30099361/posts/default/115098462525475234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasaminhaavo.blogspot.com/2006/06/8-de-setembro-de-1990.html' title='8 de Setembro de 1990'/><author><name>Catarina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06965068371430056306</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
