Projecto âncora
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Cartas à minha avó: Ponto de embraiagem

09 novembro, 2006

Ponto de embraiagem

O amor é como o ponto de embraiagem: tem de se ter ambos os pés em perfeita sintonia, no ponto certo, não mais abaixo, não mais acima, mas no ângulo correcto que permita seguir em frente.

Às vezes somos dois pés descordenados, desconexos, e deixamos o amor ir abaixo. Metemos a chave na ignição uma vez mais, rodamos uma, duas, três vezes e parece que não funciona. Não conseguimos sair do lugar. Avariámos o amor ou esquecemo-nos de meter combustível?

E começamos a andar a pé, tu com o esquerdo e eu com o direito. Ao pé-coxinho, cada um para seu lado, apercebemos-nos de que há certas coisas propositadamente feitas para andarem aos pares. É o nosso caso - o esquerdo sem o direito não vai a lado nenhum. O direito sem o esquerdo perde o sentido. E então damos novamente à chave e seguimos em frente, às curvas, aos solavancos, mas seguimos.